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Desolação

Carmen Costa

Desolação

Aí, se o vires perdido
No tempo e no espaço
Com ar de abandono
De tédio e cansaço
Achando, sei lá
Que está sem saída

Se o vires
Não deixe que passe a oportunidade
Repita-lhe muito
A cada minuto
O quanto me pesa tê-lo deixado
E olhe bem fundo em seus olhos
A ver se ainda estão
Com as mesmas estrelas
Que neles guardei
Com a mesma tristeza
De quem se perdeu
De todos os caminhos
Que dão para a vida
E aí se amargou
Em desolação

Depois, no largo silêncio
Imenso e profundo
Lhe pegue nas mãos
E pergunte se o mundo
Não lhe pesou demais
Quando eu lhe deixei

Depois, desligo o afeto
Que se encerra
Nesse peito tão sentido
Que em mal traçadas linhas
Vai sofrendo, vai sangrando
Se doendo, se afligindo
E chorando

Desolação

Si lo ves perdido
En el tiempo y el espacio
Con aire de abandono
De aburrimiento y cansancio
Pensando, no sé
Que está sin salida

Si lo ves
No dejes pasar la oportunidad
Repítele mucho
Cada minuto
Cuánto me pesa haberte dejado
Y mira profundamente en sus ojos
A ver si aún están
Con las mismas estrellas
Que guardé en ellos
Con la misma tristeza
De quien se perdió
De todos los caminos
Que llevan a la vida
Y ahí se amargó
En desolación

Después, en el amplio silencio
Inmenso y profundo
Tómale las manos
Y pregúntale si el mundo
No le pesó demasiado
Cuando lo dejé

Después, desconecto el afecto
Que se encierra
En este pecho tan sentido
Que en líneas mal trazadas
Va sufriendo, va sangrando
Doliéndose, afligiéndose
Y llorando

Escrita por: Hermínio Bello de Carvalho / Maurício Tapajós