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Camino del Sertão

Carmen Queiroz

Estrada do Sertão

Coisa que não arrenego
Nem tampouco desapega
Ter gostado de você
Foi gostar desenxavido

Encruado, recolhido
De ninguém se aperceber
Matutando vou na estrada
Nos meus óios a passarada

Faz um ninho pra você.
Juriti espreita triste,
A jandaia não resiste,
Chora junto por você.

Nos teus óio faz clarão,
E é um verde, azulão
Tiê-sangue, furta-cor,
Que me dá desassossego,

E me suga, nem morcego,
Mangando que é beija-flor
Não me encrespe a vida assim,
Já me basta o que de mim

Esta vida caçoou
Não me faz essa graçola
De me abrir essa gaiola
Pra depois não me prender

Canta firme, juriti,
E me entoa uma canção
Sabiá me roça aqui
Bem de junto ao coração

Pousa aqui meu colibri,
Vê se tu tem pena d'eu
Quero ser teu bacuri
Quero ser de vosmecê
Quanto mais 'cê desfeiteia, me despreza,
Mais me arrasto pra você!

Camino del Sertão

Cosas que no reniego
Ni tampoco desapego
Haber gustado de ti
Fue gustar sin medida

Encerrado, retraído
Sin que nadie se dé cuenta
Reflexionando voy por el camino
Con mis ojos en los pájaros

Hacen un nido para ti.
La juriti acecha triste,
La jandaia no puede resistir,
Llora junto a ti.

En tus ojos hace un resplandor,
Y es un verde, azulón
Tangará-sangre, tornasol,
Que me da inquietud,

Y me absorbe, como murciélago,
Burlándose de ser colibrí
No me enredes la vida así,
Ya me basta con lo que de mí

Esta vida se burló
No me hagas esa broma
De abrirme esta jaula
Para luego no sujetarme

Canta fuerte, juriti,
Y entóname una canción
El sabiá me roza aquí
Justo junto al corazón

Posa aquí mi colibrí,
A ver si tienes compasión de mí
Quiero ser tu bacurí
Quiero ser de vosmecé
Cuanto más me desprecias, me menosprecias,
Más me arrastro hacia ti!

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