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Mundo de Espuma

Carol Maia

Mundo de Espuma

Quis deitar
Mas não tinha cama
Não tinha chão
Escutar
Mas não tinha ouvidos
Não tinha som
Quis virar a esquina, mas a menina me disse que
Não tinha rua
Se não a minha
O porteiro me falou que o síndico tinha se mudado
Prum outro bairro
Uma outra cidade

O que que eu vou fazer com meus olhos cegos
Que que eu vou fazer com o batom apagado mulher
Que que eu vou fazer com as horas desperdiçadas
E os meus discursos malcriados

Ah
Como eu vivo
Num mundo de espuma
De cataventos

Quis levantar
Mas não tinha dia
Não tinha sol
E perguntar
Mas não tinha boca
Nem questão
Quis virar a esquina, mas a menina me disse que não tinha rua
Se não a dela
Perguntei para o porteiro quem eu era e ele me falou
Você não é ela
Então quem eu sou

Oh
O que que eu vou fazer com os meus olhos cegos
Que que eu vou fazer com o batom apagado mulher
Que que eu vou fazer com as horas desperdiçadas
E os meus discursos malcriados
E os meus discursos malcriados
Ah como eu vivo
Num mundo de espuma
De cataventos

Mundo de Espuma

Quise acostarme
Pero no había cama
No había suelo
Escuchar
Pero no había oídos
No había sonido
Quise doblar la esquina, pero la chica me dijo que
No había calle
Si no era la mía
El portero me dijo que el síndico se había mudado
A otro barrio
A otra ciudad

¿Qué voy a hacer con mis ojos ciegos?
¿Qué voy a hacer con el labial borrado, mujer?
¿Qué voy a hacer con las horas desperdiciadas
Y mis discursos malcriados?

Ah
Cómo vivo
En un mundo de espuma
De molinetes

Quise levantarme
Pero no había día
No había sol
Y preguntar
Pero no había boca
Ni pregunta
Quise doblar la esquina, pero la chica me dijo que no había calle
Si no era la suya
Le pregunté al portero quién era y él me dijo
No eres ella
Entonces, ¿quién soy?

Oh
¿Qué voy a hacer con mis ojos ciegos?
¿Qué voy a hacer con el labial borrado, mujer?
¿Qué voy a hacer con las horas desperdiciadas
Y mis discursos malcriados?
Y mis discursos malcriados
Ah, cómo vivo
En un mundo de espuma
De molinetes

Escrita por: Carol Maia