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Toda la Vida Pt. 2

Carolina Deslandes

A Vida Toda Pt. 2

Deixa lá que chegue a noite
Que a noite traga o alívio
De deixar de fingir
E de viver em sacrifício
Num dilúvio dúbio
Entre o que quero e acredito
Eu espero sempre um amanhã bonito

O que eu não esqueço é meu
Como átomos
Fantasmas gastos e eu ato-nos
Peso retrato dos corpos nus
Deitados onde juntos fomos um

Beijei-te a pálpebra e neguei a álgebra
Que aqui um mais um é um
Amor еm tempo de cólera
O tеu corpo sabe a pólvora
E eu já não sei se é fome ou se é jejum

Não sei se te esqueço
Ou se quando te esqueço
Morrem também partes de mim
Conheço o teu avesso
Debruço-me e escrevo
Vi-te nas entranhas jardim

Nada sabe ao que sabia
E é sádica a ironia
Mas isso acho que já sabias
Vivemos a mesma máxima
Quando tens o que queres
E se ainda queres tudo o que querias

Eu tinha paz quando tinha nada
Eu tenho caos mas de bolsos cheios
Tínhamos uma estrada a dois passeios
Chegamos ao fim mas juro vimos meios

Eu juro que chorei tanto
Que flutuei no banco
E fui do quarto até à sala
Já não estamos lado a lado
Isto é um nada a nado
Onde perde quem guarda
Mas morre quem fala

Não é um novo testamento
É um novo teste a medo
Que a vida sem ti é uma novidade
E eu que sou de tradições
Queimei as recordações
Só pra fingir que estou mais à vontade

Aplaudiram-me no coliseu
E eu sem colo e sem ser eu
Só levantei a mão
Mas não dormia há cinco dias
E depois de noites frias
Prémios só sabem a solidão

Amaste-me antes do palco e antes dos agentes
Antes do salto e antes de eu ser gente
Amei-te tanto quanto o que podia
Não é carolina, pra ti é Maria

Não era para a vida toda e nós rimos juntos
Não fomos só a vida, juntos fomos tudo
Não é para a vida toda e nós rimos juntos
Não fomos só a vida, juntos fomos tudo

Toda la Vida Pt. 2

Deja que llegue la noche
Que la noche traiga el alivio
De dejar de fingir
Y de vivir en sacrificio
En un diluvio dudoso
Entre lo que quiero y creo
Siempre espero un mañana bonito

Lo que no olvido es mío
Como átomos
Fantasmas gastados y los uno
Peso retrato de cuerpos desnudos
Acostados donde juntos fuimos uno

Te besé el párpado y negué la álgebra
Que aquí uno más uno es uno
Amor en tiempo de cólera
Tu cuerpo sabe a pólvora
Y ya no sé si es hambre o es ayuno

No sé si te olvido
O si cuando te olvido
Mueren también partes de mí
Conozco tu reverso
Me inclino y escribo
Te vi en las entrañas jardín

Nada sabe como solía
Y es sádica la ironía
Pero creo que ya lo sabías
Vivimos la misma máxima
Cuando tienes lo que quieres
Y si aún quieres todo lo que querías

Tenía paz cuando no tenía nada
Tengo caos pero con bolsillos llenos
Teníamos un camino a dos pasos
Llegamos al final pero juro que vimos medios

Juro que lloré tanto
Que floté en el banco
Y fui del cuarto a la sala
Ya no estamos lado a lado
Esto es un nada a nado
Donde pierde quien guarda
Pero muere quien habla

No es un nuevo testamento
Es una nueva prueba con miedo
Que la vida sin ti es una novedad
Y yo, que soy de tradiciones
Quemé los recuerdos
Solo para fingir que estoy más cómodo

Me aplaudieron en el coliseo
Y yo sin consuelo y sin ser yo
Solo levanté la mano
Pero no dormía hace cinco días
Y después de noches frías
Los premios solo saben a soledad

Me amaste antes del escenario y antes de los agentes
Antes del salto y antes de ser alguien
Te amé tanto como pude
No es Carolina, para ti es María

No era para toda la vida y reímos juntos
No fuimos solo la vida, juntos fuimos todo
No es para toda la vida y reímos juntos
No fuimos solo la vida, juntos fuimos todo

Escrita por: Carolina Deslandes / Diogo Clemente