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Rompe Caras

Celso Viáfora

Quebra a Cara

QUEBRA A CARA
(Celso Viáfora)

Quebra a cara
mas se se toca em frente
no dente por dente
um dia a mágoa pára
Vida maluca
jogo de sinuca
Um dia Giggia, outro Pelé, Mané, Didi, Riva e Tostão
Só que não dá pra disfarçar a solidão
em cada pulo que amputaram do João
Cada menino driblador desta nação
que vai se embora sem ganhar a posição
Foi-se o Quintana, passarinho
ficaram os que passarão

Mesmo apertado o coração toca voar
virar balão
pra inaugurar outra estação
Olha a Mangueira do Amanhã na ladeira da redenção
De pé no chão
mesmo em jejum o sertanejo vai fazer o São João
nosso Carlito é o Gonzagão
Salve a cachaça, o carnaval, o chimarão!

Quebra a cara
Chora que se escancara
olha o infinito e, então, a mágoa um dia sara
Não é loucura que a mesma cultura
que mata e tortura
dê Maurício, Tande e Marcelo Negrão?
E o que era belo fica pra iluminação
em cada fio verde-amarelo de emoção
em cada Grande Otelo que pega o avião
em cada curva Tamburello, em cada vão
em cada pedra no caminho, em cada verso do Drummond

Mesmo apertado...

E, de repente, a sina da continuação
em cada Elis Regina uma nova canção
Cada Ronaldo que surgir na multidão
é um operário a menos da desilusão
Em cada chute do Romário em cada gol da Seleção

Mesmo apertado...

Rompe Caras

ROMPE CARAS
(Celso Viáfora)

Rompe caras
pero si te enfrentas
diente por diente
un día la pena se detiene
Vida loca
juego de billar
Un día Giggia, otro Pelé, Mané, Didi, Riva y Tostão
Pero no se puede ocultar la soledad
en cada salto que le amputaron a João
Cada niño driblador de esta nación
que se va sin ganar la posición
Se fue Quintana, pajarito
quedaron los que pasarán

Aunque apretado el corazón toca volar
convertirse en globo
para inaugurar otra estación
Mira la Mangueira del Mañana en la cuesta de la redención
De pie en el suelo
aunque en ayunas el sertanejo hará el São João
nuestro Carlito es el Gonzagão
¡Salve la cachaça, el carnaval, el chimarrão!

Rompe caras
Llora que se desgarra
mira el infinito y, entonces, la pena un día se cura
No es locura que la misma cultura
que mata y tortura
dé Maurício, Tande y Marcelo Negrão?
¿Y lo que era bello queda para la iluminación
en cada hilo verde-amarillo de emoción
en cada Grande Otelo que toma el avión
en cada curva Tamburello, en cada vano
en cada piedra en el camino, en cada verso de Drummond

Aunque apretado...

Y, de repente, la señal de la continuación
en cada Elis Regina una nueva canción
Cada Ronaldo que surja en la multitud
es un obrero menos de la desilusión
En cada disparo de Romário, en cada gol de la Selección

Aunque apretado...

Escrita por: Celso Viáfora