395px

Relleno de un Vestido

Cezar e Paulinho

Recheio de Um Vestido

Já enfrentei touro à unha
Já mostrei minha bravura
Para eu sobreviver
Enfrentei parada dura

De roer osso na vida
Gastei minha dentadura
Eu estou quase perdido
Mas o recheio de um vestido
É o remédio que me cura

Eu sou caboclo arrojado
Sertanejo sem mistura
Se avida fica amarga
Eu faço ela ficar doçura

Já cumpri minhas promessas
E não quebrei as minhas juras
Eu estou quase perdido
Mas o recheio de um vestido
É o remédio que me cura

Já cansei de ter exposto
O meu retrato na moldura
Minhas obras publicadas
Fazem parte da cultura

E mesmo sofrendo bastante
Não entrego a rapadura
Eu estou quase perdido
Mas o recheio de um vestido
É o remédio que me cura

Minhas músicas na praça
É igual fruta madura
Minha voz é uma medalha
Onde bate, corta e fura

Por causa de um amor
Eu já fiz muitas loucuras
Eu estou quase perdido
Mas o recheio de um vestido
É o remédio que me cura

Enfrentei onça no tapa
Mostrei que eu sou encardido
Já tomei muitas lambadas
Já tô de couro curtido

Escapei de emboscadas
Eu sou caboclo sacudido
Tudo pode machucar
Mas o que vai me matar
É o recheio de um vestido

Aprendi muitas lições
Nas coisas que eu tenho lido
O meu peito sofredor
Já foi muito atingido

Já fui picado de cobra
E tantos bichos atrevidos
Eu posso até me machucar
Mas o que vai me matar
É o recheio de um vestido

Eu sou muito respeitado
Nos lugar que eu tenho ido
Eu só recebo elogios
Porque eu tenho merecido

Já levei tantas pancadas
Que deixou meu corpo moído
Eu posso até me machucar
Mas o que vai me matar
É o recheio de um vestido

Minha vida é uma verdade
Não é um caso perdido
Eu já comi de tudo um pouco
E com muito tempero ardido

Sofri pra vencer batalhas
Mas não estou arrependido
Eu posso até me machucar
Mas o que vai me matar
É o recheio de um vestido

Por uma flor pantaneira
Fiquei de queixo caído
Mas quem não chora, não mama
Chorão é meu apelido

Uma espada que não mata
É a espada do cupido
Pode até me machucar
Mas o que vai me matar
É o recheio de um vestido

Relleno de un Vestido

Ya enfrenté toro a uña
Ya mostré mi valentía
Para sobrevivir
Enfrenté una parada dura

De roer hueso en la vida
Gasté mi dentadura
Estoy casi perdido
Pero el relleno de un vestido
Es la medicina que me cura

Soy un campesino audaz
Sertanejo sin mezcla
Si la vida se amarga
Yo la hago dulce

Ya cumplí mis promesas
Y no rompí mis juramentos
Estoy casi perdido
Pero el relleno de un vestido
Es la medicina que me cura

Ya me cansé de tener expuesto
Mi retrato en el marco
Mis obras publicadas
Forman parte de la cultura

Y aunque sufra bastante
No entrego el rapadura
Estoy casi perdido
Pero el relleno de un vestido
Es la medicina que me cura

Mis canciones en la plaza
Son como fruta madura
Mi voz es una medalla
Donde golpea, corta y perfora

Por causa de un amor
He hecho muchas locuras
Estoy casi perdido
Pero el relleno de un vestido
Es la medicina que me cura

Enfrenté a una onza a golpes
Mostré que soy resistente
He recibido muchos golpes
Ya estoy curtido

Escapé de emboscadas
Soy un campesino agitado
Todo puede lastimar
Pero lo que me va a matar
Es el relleno de un vestido

He aprendido muchas lecciones
En las cosas que he leído
Mi pecho sufrido
Ha sido muy golpeado

Ya fui picado por una serpiente
Y tantos animales atrevidos
Puedo lastimarme
Pero lo que me va a matar
Es el relleno de un vestido

Soy muy respetado
En los lugares que he ido
Solo recibo elogios
Porque me los he ganado

He recibido tantos golpes
Que dejaron mi cuerpo molido
Puedo lastimarme
Pero lo que me va a matar
Es el relleno de un vestido

Mi vida es una verdad
No es un caso perdido
Ya he comido de todo un poco
Y con mucho condimento picante

He sufrido para vencer batallas
Pero no me arrepiento
Puedo lastimarme
Pero lo que me va a matar
Es el relleno de un vestido

Por una flor pantanera
Quedé boquiabierto
Pero quien no llora, no mama
Llorón es mi apodo

Una espada que no mata
Es la espada de cupido
Puede lastimarme
Pero lo que me va a matar
Es el relleno de un vestido

Escrita por: Paulinho / César