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El Niño de la Portera

César Menotti & Fabiano

O Menino da Porteira

Toda vez que eu viajava pela estrada de ouro fino
De longe eu avistava a figura de um menino
Que corria abrir a porteira e depois vinha me pedindo:
- Toque o berrante seu moço que é pra eu ficar ouvindo.

Quando a boiada passava e a poeira ia baixando
Eu jogava uma moeda e ele saía pulando:
- Obrigado boiadeiro, que Deus vá lhe acompanhando
Pra aquele sertão a fora, meu berrante ia tocando

Nos caminhos desta vida muitos espinhos encontrei
Mas nenhum calou mais fundo, do que isso que eu passei
Na minha viagem de volta qualquer coisa eu cismei
Vendo a porteira fechada e o menino não avistei

Apeei do meu cavalo e no ranchinho beira-chão
Vi uma mulher chorando, quis saber qual a razão
- Boiadeiro veio tarde, veja a cruz no estradão!
Quem matou o meu filhinho, foi um boi sem coração!

Lá pras bandas de ouro fino levando gado selvagem
Quando passo na porteira até vejo a sua imagem
O seu rangido tão triste mais parece uma mensagem
Daquele rosto trigueiro, desejando-me boa viagem

A cruzinha no estradão do pensamento não sai
Eu já fiz um juramento que não esqueço jamais
Nem que meu gado estoure, e eu precise ir atrás
Neste pedaço de chão, berrante eu não toco mais

El Niño de la Portera

Cada vez que viajaba por la carretera de oro fino
A lo lejos veía la figura de un niño
Que corría a abrir la portera y luego venía a pedirme:
- Toca el cuerno, amigo, para que pueda escucharlo.

Cuando pasaba la manada y el polvo se iba asentando
Yo lanzaba una moneda y él salía saltando:
- Gracias vaquero, que Dios te acompañe
Mientras mi cuerno sonaba por aquel sertón afuera.

En los caminos de esta vida encontré muchos espinos
Pero ninguno caló más hondo que lo que pasé
En mi viaje de regreso algo me inquietó
Al ver la portera cerrada y no ver al niño.

Bajé de mi caballo en el ranchito al borde del camino
Vi a una mujer llorando, quise saber la razón
- Vaquero llegaste tarde, ¡mira la cruz en el camino!
¡Quién mató a mi niñito, fue un toro sin corazón!

Por los lados de oro fino llevando ganado salvaje
Cuando paso por la portera hasta veo su imagen
Su crujido tan triste parece más bien un mensaje
De ese rostro moreno deseándome buen viaje.

La cruz en el camino no sale de mi pensamiento
He hecho un juramento que jamás olvidaré
Aunque mi ganado se escape y tenga que ir tras él
En este pedazo de tierra, el cuerno no tocaré más

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