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The Dream

César Oliveira e Rogério Melo

O Sonho

Quem sabe meu sonho
Ficou negaciando
Na costa de um mato
Nos ritos de um trago
Das últimas luzes
Que estreitam domingos

Ficou nas ramadas
Encilhando um mouro
Depois da sesteada
Ou nas madrugadas
Num quarto de ronda
De alguma tropeada

Meu sonho rebolca
Nas xergas tão velhas
Moldadas de lombo
Guardando suores
Tal qual as relíquias
De um tempo precioso

Fareja cambonas
Com jujos de campo
Pelas madrugadas
Chuliando cancelas
Que abertas pra o dia
Envidam potradas

Meu sonho falqueja
As tramas de angico
Nas chuvas de agosto
E saca as penúrias
De tanta inverneira
Nos cardos de um poncho

Galopa num vento
Desfiando saudades
Soprado da estância
Abanos de pala
Mesclado nas rimas
De crina e guitarra

Talvez quando escute
Os gritos da pampa
não'alguma ilusão
Limite o silêncio
Fazendo fronteiras
Na paz de um galpão

The Dream

Who knows my dream
Was negotiating
On the edge of a bush
In the rituals of a drink
Of the last lights
That narrow Sundays

It stayed in the branches
Saddling a dark horse
After the siesta
Or in the early mornings
In a round room
Of some cattle drive

My dream rolls
In the very old beddings
Shaped by the back
Guarding sweats
Just like the relics
Of a precious time

It sniffs cambonas
With field yawns
In the early mornings
Handling gates
That open to the day
Sending colts

My dream falters
The angico weaves
In the August rains
And draws the hardships
Of so many winters
In the thistles of a poncho

It gallops in a wind
Unraveling longings
Blown from the ranch
Waves of a poncho
Mixed in the rhymes
Of mane and guitar

Perhaps when it hears
The cries of the pampa
It's not some illusion
Limiting the silence
Creating borders
In the peace of a shed

Escrita por: Adriano Gomes / Juliano Gomes / Marco Antônio Xiru Antunes