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Golaço Campeiro

César Oliveira e Rogério Melo

Golaço Campeiro

Mas que golaço campeiro
Que fez o nego Betão
Pegou um bostaço de longe
Lá onde dorme o corujão
D’onde a trave da direita
Se abraça no travessão
Mas que golaço campeiro
Que fez o nego Betão

Taloneei a colorada, que saiu pedindo freio
As chuteiras ensebadas vão no mocó dos arreios
Tem jogo valendo taça, daí que eu mostro minha ginga
Sou capitão de alma e raça do Flamengo da restinga

Entre Sant' Ana e as Três Vendas
Ali na sub-prefeitura
Um time sob encomenda, forjado na lida dura
Na gol o sargento Alves, na zaga o Dão e o Amarante
No meio eu e o Raúl e o Betão de centro-avante
No meio eu e o Raúl e o Betão de centro-avante

O embate era contra los Tigre, das bandas da Cerrilhada
Castelhanada bandida, que adora dar umas pechadas
No bico ninguém nos ganha e na pelota eu também acho
Pois futebol de campanha
É esporte de índio macho

O troço empeço pegado! Peleia braba, encardida
A paysanada chegando, rasgando nas dividida
E eu caprichei numa bola
Que de três dedos saiu
O Raúl matou no peito e lançou o Betão no vazio
O Raúl matou no peito e lançou o Betão no vazio

Que dominou e quadrou o corpo
Fechou os zóio e deu um coice
E a bola entrou na gaveta
Naquele efeito de foice
Já foi aquele gritedo
A torcida em alvoroço
E o Betão beijava o lenço
Bem atado no pescoço

Mas que golaço campeiro, que fez o nego Betão
Pegou um bostaço de longe, lá onde dorme o corujão
D’onde a trave da direita se abraça no travessão
Mas que golaço campeiro, que fez o nego Betão

Depois nós se retranquemo dando de bico pra fora
E o juiz era o Nazeazeno, que só apitava de espora
Ergue o braço e finda o jogo com um tiro de trinta e oito
Que é pra acalma os derrotados e os nervo dos mais afoito

Mas que golaço campeiro
Que fez o nego Betão
Pegou um bostaço de longe
Lá onde dorme o corujão
D’onde a trave da direita
Se abraça no travessão
Mas que golaço campeiro
Que fez o nego Betão

Golaço Campeiro

Qué golazo campeiro
Que hizo el negro Betão
Agarró un bombazo desde lejos
Donde duerme el búho
Donde el poste derecho
Se abraza en el travesaño
Qué golazo campeiro
Que hizo el negro Betão

Toqué la colorada, que salió pidiendo freno
Las botas engrasadas van en el mocó de los arreos
Hay un juego por la copa, ahí es donde muestro mi habilidad
Soy capitán de alma y garra del Flamengo de la restinga

Entre Sant' Ana y las Tres Vendas
Allí en la sub-prefectura
Un equipo a medida, forjado en la dura vida
En el arco el sargento Alves, en la defensa Dão y Amarante
En el medio yo y Raúl y Betão de centrodelantero
En el medio yo y Raúl y Betão de centrodelantero

El enfrentamiento era contra los Tigre, de las tierras de Cerrilhada
Castellanos bandidos, que les encanta dar patadas
En el campo nadie nos gana y en la pelota también lo creo
Porque el fútbol de campaña
Es deporte de macho

El asunto estaba pegado! Pelea brava, difícil
La gente del campo llegando, rompiendo en las divididas
Y yo le di con todo a un balón
Que salió de tres dedos
Raúl lo controló en el pecho y lanzó a Betão al vacío
Raúl lo controló en el pecho y lanzó a Betão al vacío

Él dominó y cuadró el cuerpo
Cerró los ojos y dio una patada
Y la pelota entró en la escuadra
Con ese efecto de guadaña
Ya fue ese griterío
La hinchada en alboroto
Y Betão besaba el pañuelo
Bien atado en el cuello

Qué golazo campeiro, que hizo el negro Betão
Agarró un bombazo desde lejos, donde duerme el búho
Donde el poste derecho se abraza en el travesaño
Qué golazo campeiro, que hizo el negro Betão

Después nos replegamos dando patadas afuera
Y el árbitro era Nazeazeno, que solo pitaba de espuela
Levanta el brazo y termina el juego con un disparo de treinta y ocho
Para calmar a los derrotados y a los nerviosos más atrevidos

Qué golazo campeiro
Que hizo el negro Betão
Agarró un bombazo desde lejos
Donde duerme el búho
Donde el poste derecho
Se abraza en el travesaño
Qué golazo campeiro
Que hizo el negro Betão

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