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Sertão

Chicones

Sertão

Lá no meu sertão
Já não existe mais emprego.
Tenho que ir para a “Cidade”
Para conseguir dinheiro.

Deixo a família em casa
Numa “quintura” de “rachar”.
Porque lá não tem nem
O feijão para cozinhar.

Não quero ver a terra ardendo
Nem a fogueira de São João.
Não vou morrer por falta d’água.
Nem vou esquecer o meu sertão.

E na “Cidade Grande”
Sou motivo de piadas.
Falam de minha gíria
E da cabeça chata.

A fome é muito grande
E a sede insaciável.
Em pé há cinco horas
Numa fila de trabalho.

Não vou chorar a “Asa Branca”
Que bateu asas e não voltou.
Só mando cartas para minha Rosinha
Volto logo meu amor.

Sertão

Allá en mi sertão
Ya no hay trabajo.
Tengo que ir a la “Ciudad”
Para ganar dinero.

Dejo a la familia en casa
En una situación difícil de soportar.
Porque allá ni siquiera hay
Frijoles para cocinar.

No quiero ver la tierra ardiendo
Ni la fogata de San Juan.
No voy a morir por falta de agua.
Ni voy a olvidar mi sertão.

Y en la “Gran Ciudad”
Soy motivo de burlas.
Hablan de mi jerga
Y de la cabeza plana.

El hambre es muy grande
Y la sed insaciable.
De pie hace cinco horas
En una fila de trabajo.

No voy a llorar por la “Asa Blanca”
Que alzó vuelo y no regresó.
Solo envío cartas a mi Rosita
Vuelvo pronto mi amor.

Escrita por: Sírius Lima