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Valsa de Lydia, de Não Venhas!

Chiquinha Gonzaga

Valsa de Lydia, de Não Venhas!

Seu Vinhaça tenho medo
Tenho medo seu Vinhaça
Chifrada não é brinquedo
Chifrada nunca foi graça

Se um touro pula a trincheira
Nisto fico a pensar eu
Minha avó sem ser toureira
De uma chifrada morreu!

Eu não gosto de tourada
Eu detesto este pagode!
Isto de levar chifrada
Ser coisa boa não pode!

Mal vejo um touro na arena
Sinto-me toda a tremer
Do próprio boi tenho pena
Pois farpa deve doer!

Chuchar um ferro no couro
Sem ter feito nenhum mal
O senhor se fosse touro
Não gostaria de tal!

Sim, o senhor, seu Vinhaça
Se fosse boi dava berro
Não gostava da chalaça
De lhe meterem um ferro!

Valsa de Lydia, de Não Venhas!

Tengo miedo de usted, Vinhaça
Tengo miedo de usted, Vinhaça
Un cornada no es un juego
Una cornada nunca fue gracia

Si un toro salta la barrera
En eso me pongo a pensar
Mi abuela, sin ser torera
De una cornada murió

No me gusta la corrida
¡Detesto este alboroto!
Recibir una cornada
No puede ser algo bueno

Apenas veo un toro en la arena
Me siento temblar entera
Del propio toro me da pena
¡Porque la puya debe doler!

Clavar un hierro en la piel
Sin haber hecho ningún mal
Usted, si fuera toro
¡No le gustaría eso!

Sí, usted, señor Vinhaça
Si fuera toro, gritaría
No le gustaría la broma
De clavarle un hierro!

Escrita por: Cardoso Junior / Chiquinha Gonzaga