Enseada
O roupão encardido
Os olhos baços de chorar
Mas a memória lhe traz
Uma tarde em Paquetá
E Celeste descobre no espelho novos traços
Não a Celeste de gestos relapsos
Mas Ariadne, a que foi abandonada em Naxos
Sou Ariadne, maior que as deusas
Não sou imortal: Vejam meu pranto
Nenhuma atraiçoada morreu tanto
Foi penalizada pela falta de recato
Mas um Deus moreno do Brasil mulato
Transformou-a em pedra nua na enseada
Que é pra viver eternamente assim molhada
En la Ensenada
El batín sucio
Los ojos opacos de llorar
Pero la memoria le trae
Una tarde en Paquetá
Y Celeste descubre en el espejo nuevos rasgos
No la Celeste de gestos descuidados
Sino Ariadna, la que fue abandonada en Naxos
Soy Ariadna, más grande que las diosas
No soy inmortal: Vean mi llanto
Ninguna traicionada murió tanto
Fue castigada por la falta de recato
Pero un Dios moreno de Brasil mulato
La transformó en piedra desnuda en la ensenada
Para vivir eternamente así mojada
Escrita por: Aldir Blanc / Cristóvão Bastos