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El Último Adiós del Vaquero

Cláudio Rios

O Último Adeus do Vaqueiro

Já fui um vaqueiro novo
Mais estou quase acabado
Com 69 anos, faz um mês
Que estou prostrado
O doutor disse a meu povo
Que estou desenganado

Campeei 60 anos
Brincando de mundo afora
Quem já fui eu no passado
E quem estou sendo agora
Essa saudade que sinto
Me mata antes da hora

Já saí pra tanta festa
Hoje não posso sair
Bebi tanta pinga boa
Dia é noite sem cair
Hoje só vejo remédio
Sem poder mais engolir

Soluçando de saudade
Dou adeus a minha cela
Peço pra minha família
Que se puder guarde ela
Pra recordar das carreiras
Que já dei montado nela

Adeus porteira e cancela
Estribaria é bebida
Adeus currais, adeus campos
Cercado pátio e corrida
Ah se Deus ainda me desse
Mais alguns anos de vida

De tudo na minha vida
Eu tenho recordação
Adeus queridos vaqueiros
Colegas dos meus sertões
Fiquem brincando por mim
Nas festas de apartações

Adeus rebanho de gado
Que engordei com capim
Conservei com tanto gosto
Mais estou quase no fim
Quem será de hoje em diante
Que vai vir zelar por mim

Dou adeus a meu cavalo
Lembrando a vontade dele
Já que Deus quer me matar
Também deve matar ele
Pra ninguém vê outro homem
Pegar boi montado nele

Adeus meu querido filho
Que foi meu melhor amigo
Adeus minha velha esposa
Rainha do meu abrigo
Se fosse pelo meu gosto
Vocês morriam comigo

Meu patrão estou chegando
No momento derradeiro
Bote a vela em minha mão
Me perdoe se fui grosseiro
Receba como lembrança
O último adeus do vaqueiro

El Último Adiós del Vaquero

Ya fui un vaquero joven
Pero estoy casi acabado
Con 69 años, hace un mes
Que estoy postrado
El doctor le dijo a mi gente
Que estoy desahuciado

Monté 60 años
Jugando por el mundo
Quién fui en el pasado
Y quién estoy siendo ahora
Esta nostalgia que siento
Me mata antes de tiempo

Ya salí a tantas fiestas
Hoy no puedo salir
Bebí tanta buena caña
Día y noche sin caer
Hoy solo veo medicinas
Sin poder tragar más

Sollocé de nostalgia
Doy adiós a mi celda
Pido a mi familia
Que si pueden la guarden
Para recordar las carreras
Que ya di montado en ella

Adiós portón y cancela
Establo es bebida
Adiós corrales, adiós campos
Cercado, patio y carrera
Ah si Dios aún me diera
Algunos años más de vida

De todo en mi vida
Tengo recuerdo
Adiós queridos vaqueros
Colegas de mis tierras
Sigan jugando por mí
En las fiestas de apartaciones

Adiós rebaño de ganado
Que engordé con pasto
Conservé con tanto gusto
Pero estoy casi al final
Quién será de ahora en adelante
Que vendrá a cuidar de mí

Doy adiós a mi caballo
Recordando su voluntad
Ya que Dios quiere matarme
También debe matarlo a él
Para que nadie vea a otro hombre
Agarrar un toro montado en él

Adiós mi querido hijo
Que fue mi mejor amigo
Adiós mi vieja esposa
Reina de mi refugio
Si fuera por mi gusto
Ustedes morirían conmigo

Mi patrón, estoy llegando
En el momento final
Ponga la vela en mi mano
Perdóneme si fui grosero
Reciba como recuerdo
El último adiós del vaquero

Escrita por: Francisco Maia de Queiroz / João Claudio Rios