Lume da Canção
Ô zé, pr'ond tu vai?
Eu vou lá pro meio da feira!
Ver embolada, desafio de repente,
Medicina de baiano, luta de capoeira,
Ô zé, eu vou bem ai!
Não faça tamanha besteira!
Eu volto logo, meu amor lhe peço tento,
Vou cumprir meu regimento, com sinhá rezadeira!
Ô zé, acabou-se a farinha,
O fiado, o jabá também,
Não gaste dinheiro com pinga,
Por que isso é coisa que tu não tem!
Muié, deixe de entriga,
De tanto arvoro, desse xenhenhém!
Só quero andar pela feira,
Aprender a sabença que o meu povo tem!
Ô zé, me dá logo a parte
Que me cabe desse tostão,
Tú és homem andarilho,
E nem te importas com meu coração,
Só vives jogado no samba,
É xote, xaxado e baião,
Até já falei com o juiz,
Pra ele desafazer essa nossa união...
Meu bem, não se avexe não,
Você é a minha prenda,
Não lhe troco por nada no mundo,
Só quero andar pela feira,
Matar a saudade desse meu sertão,
Não queira-me numa gaiola,
Sou pássaro livre, "lume da canção"...
Tem um ceguinho na calçada da igreja,
Demostrando sua arte, dedilhando um violão,
Naquele banco seu tibúrcio com malícia,
Pra vender o seu tempero que dá gosto ao feijão...
Pendite falso com a cara de coitado,
Tá ganhando seu trocado,
Enchendo o saco de pão...
Moça bonita, tem até madame rica,
Desfilando com seu carro no meio da multidão...
Tem pra mim, tem pra tú,
Aqui na feira de caruaru,
Tem pra mim, tem pra tú
Na feira de caruaru...
Luz de la Canción
Oye, ¿a dónde vas?
¡Voy al medio de la feria!
Viendo embolada, desafío repentino,
Medicina de bahiano, lucha de capoeira,
Oye, ¡yo voy bien ahí!
¡No hagas tal tontería!
Volveré pronto, mi amor te lo pido con cariño,
Cumpliré mi regimiento, con la señora rezadora,
Oye, se acabó la harina,
El fiado, el jabá también,
No gastes dinero en aguardiente,
¡Porque eso es algo que tú no tienes!
Mujer, deja de intrigar,
¡De tanta algarabía, de ese enredo!
Solo quiero andar por la feria,
Aprender la sabiduría que mi gente tiene,
Oye, dame mi parte
De ese tostón que me corresponde,
Tú eres un hombre andariego,
Y ni te importas por mi corazón,
Solo vives tirado en el samba,
Es xote, xaxado y baião,
Incluso hablé con el juez,
Para que deshiciera esta unión nuestra...
Mi amor, no te preocupes,
Tú eres mi regalo,
No te cambio por nada en el mundo,
Solo quiero andar por la feria,
Matar la añoranza de mi sertón,
No me quieras en una jaula,
Soy pájaro libre, luz de la canción...
Hay un ciego en la acera de la iglesia,
Demostrando su arte, tocando una guitarra,
En ese banco su tiburcio con malicia,
Para vender su condimento que da sabor al frijol...
Fingiendo ser un pobre desamparado,
Está ganando su dinero,
Llenando el saco de pan...
Mujer bonita, hasta una dama rica,
Desfilando con su carro en medio de la multitud...
Hay para mí, hay para ti,
Aquí en la feria de Caruaru,
Hay para mí, hay para ti,
En la feria de Caruaru...