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Retina

Consuelo de Paula

Retina

Olhos de dezembro, olhos finais
Olhos de cansaço, olhos da paz
São teus sinais, olhos teus, claros demais
Por eles vou recomeçar

Olhos enfeitados, olhos natais
Olhos de presentes, olhos fatais
São como os meus, olhos teus, são meus sinais
Vão me levar até o cais

Olhos do oriente, olhos judeus
Olhos palestinos, índios, ateus
Luz do olhar de qualquer lugar
São teus sinais, são olhos meus

Olhos do ocidente, olhos cristãos
Olhos africanos, latinos, irmãos
Olhos negros, americanos
Vão ancorar no mesmo cais

Olho amarelado, verde, azul
Vermelho, molhado, olho do sul
A minha alma, meu amor e a minha voz
São olhos meus, são teus sinais

Olho adocicado feito de mel
Olho encharcado sob o véu
A mesma dor, mesmo mar, olhos iguais
Um olho só, um grande cais

Retina

Ojos de diciembre, ojos finales
Ojos de fatiga, ojos de paz
Tus signos, tus ojos, demasiado claros
Para ellos comenzaré de nuevo

Adorno de ojos, ojos de Navidad
Regalos ojos, ojos fatales
Son como los míos, tus ojos, son mis señales
Me llevarán al muelle

Ojos de Oriente, ojos judíos
Ojos palestinos, indios, ateos
Luz de la mirada desde cualquier lugar
Son tus signos, son mis ojos

Ojos de Occidente, ojos cristianos
Ojos africanos, ojos latinos, hermanos
Ojos negros, americanos
Anclarán en el mismo muelle

Ojo amarillento, verde, azul
Rojo, húmedo, ojo sureño
Mi alma, mi amor y mi voz
Son mis ojos, son tus signos

Dulce ojo hecho de miel
Ojo empapado bajo el velo
El mismo dolor, el mismo mar, los mismos ojos
Un ojo, un muelle grande

Escrita por: Consuelo De Paula / Rubens Nogueira