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Lienzo

Contra Capa

Tela

O princípio transformado, conservado no olhar vazio
Ausente estado
Essa voz de vida própria que é tornar o meu silêncio em manifestação
Um belo tempo contemplado na breve pausa da continuação
O calado entendimento da entrelinha da solidão

Foi me deixar levar
A minha natureza mórbida sublime arremessou a poeira dos costumes habituais
Premeditar o definitivo eu é encontrar o momentâneo que deve se mudar em si

A tua ausência foi lacrada na parede descascada da sala de estar
Ali, pousado olhar
O meu pesar traduzido no peso da tinta na tela em branco
Em cores sobrando além da moldura
Minha figura estarrecida em azul
Parece não acreditar em nada mais além da brusca pincelada
A métrica torta irremediável pousada em seu tolo amar
Teimoso esperar o que convém, mas não vem

Não vence a hipnose do tal canto da casa em que dorme o limite do amor com o seu fim
A absurda hipótese em esquecer e prevalecer sobre o pintor desolado ao chão de cor.

Lienzo

El principio transformado, conservado en la mirada vacía
Estado ausente
Esta voz de vida propia que convierte mi silencio en manifestación
Un hermoso tiempo contemplado en la breve pausa de la continuación
El silencioso entendimiento entre líneas de la soledad

Me dejé llevar
Mi naturaleza mórbida sublime arrojó el polvo de las costumbres habituales
Prever lo definitivo es encontrar lo momentáneo que debe cambiar en sí mismo

Tu ausencia sellada en la pared descascarada de la sala de estar
Allí, una mirada posada
Mi pesar traducido en el peso de la pintura en el lienzo en blanco
Colores desbordando más allá del marco
Mi figura atónita en azul
Parece no creer en nada más que en el repentino pincelazo
La métrica torcida irremediable posada en su tonto amar
Esperar tercamente lo que conviene, pero no llega

No vence la hipnosis del canto de la casa donde duerme el límite del amor con su fin
La absurda hipótesis de olvidar y prevalecer sobre el pintor desolado en el suelo de color.

Escrita por: Yuri Amorim