395px

Raça Baguala

Crioulo Dos Pampas

Raça Baguala

Peço licença meu povo, uso de linguagem pura
Fui criado no interior, e tenho pouca cultura
Por ser de família pobre, sempre levei vida dura
Quando eu chego o povo fala: Vejam que raça baguala
A fina flor da grossura

Sou grosso por natureza, pouco entendo de finura
Meu dialeto é campeiro, comigo não tem frescura
Não compro gato por lebre, corvo por galinha escura
Pouca coisa não me abala, eu sou de raça baguala
A fina flor da grossura

Canto e toco porque gosto, e o povo não me censura
Dizem que o grosso está solto e que ninguém mais segura
Anuncio o novo dia para gerações futuras
Meu verso na mente estala, eu sou de raça baguala
A fina flor da grossura

Pouco conheço tristeza, males que meu verso cura
Sei que tenho meus defeitos, mas não sou má criatura
Pouco sobrará de mim se tirar minha tortura
Vindo me enrolar se rala, eu sou de raça baguala
A fina flor da grossura

Patrão da estância maior, mande saúde e ternura
Pra este povo buenacho que me aplaude e me atura
Minha cantiga de grosso espero que esteja a altura
Por sermos da mesma ala, e eu ser de raça baguala
A fina flor da grossura

Raça Baguala

Permiso pido, mi gente, hablo con franqueza
Criado en el campo, con poca educación, sin nobleza
De familia humilde, la vida siempre fue dura
Cuando llego, la gente dice: 'Miren qué raza baguala'
La flor más bruta

Soy bruto por naturaleza, poco entiendo de sutileza
Mi dialecto es campero, sin rodeos ni belleza
No me engañan fácilmente, no me venden gato por liebre
Pocas cosas me afectan, soy de raza baguala
La flor más bruta

Canto y toco por gusto, la gente no me censura
Dicen que el bruto está suelto, que nadie lo asegura
Anuncio el nuevo día para las generaciones futuras
Mi verso resuena en la mente, soy de raza baguala
La flor más bruta

Poco conozco la tristeza, males que mi verso cura
Sé que tengo mis defectos, pero no soy mala criatura
Poco quedará de mí si me quitan mi tortura
Quien venga a enredarse, se arrepentirá, soy de raza baguala
La flor más bruta

Dueño de la gran estancia, envía salud y ternura
A este pueblo buenacho que me aplaude y me aguanta
Espero que mi canción bruta esté a la altura
Por ser de la misma estirpe, y yo ser de raza baguala
La flor más bruta

Escrita por: Crioulo Dos Pampas / Julio Monteiro