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Suelo de Espinas

Cristina Saraiva

Chão de Espinho

Pé no barro, brasileiro
Forasteiro em todo lugar
Fui talhado pelo tempo bravio
Fui criado ao luar

Arredio, sem rodeio
Desnorteio quem vem provocar
Fui talhado pelas pedras
Fui criado pra não me entregar

Fui audaz, fui durão
Fui mordaz fui peão
Tinha a vida na mão

Em cada trilha queria me arriscar
Comprava briga em cada bar
À noite, eu andava só
Mato, vento, lua e pó
Meu cavalo e o breu
O mundo e eu

Tão valente, tão guerreiro
Sem cabresto sem nada a explicar
Sem esteio
Nas quebradas de estrada
Tanta terra pra andar

Tão somente, passageiro
Nessa vida sem pouso, sem lar
Meu caminho, eu sozinho
Chão de espinho eu sabia pisar

Viajei, me bati
Me cortei, prossegui
Resolvi desmontar

Hoje cansado me ponho a relembrar
Um pouco d´água em meu olhar
À noite eu me sento só
Fogo, frio, lua e pó
Penso em tudo que eu fiz
Se fui feliz

Tão valente
Tão guerreiro
Pela estrada a rodar
Sem esteio
Nas quebradas
Tanta terra pra andar

Tão somente
Passageiro
Nessa vida sem par
Meu caminho, eu sozinho
Chão de espinho,meu lar

Suelo de Espinas

Pie en el barro, brasileño
Forastero en todas partes
Fui moldeado por el tiempo salvaje
Fui criado a la luz de la luna

Arisco, sin rodeos
Desoriento a quien viene a provocar
Fui moldeado por las piedras
Fui criado para no rendirme

Fui audaz, fui duro
Fui mordaz, fui peón
Tenía la vida en la mano

En cada sendero quería arriesgarme
Buscaba pelea en cada bar
Por la noche, caminaba solo
Monte, viento, luna y polvo
Mi caballo y la oscuridad
El mundo y yo

Tan valiente, tan guerrero
Sin riendas, sin nada que explicar
Sin apoyo
En los recodos del camino
Tanta tierra por recorrer

Simplemente, pasajero
En esta vida sin descanso, sin hogar
Mi camino, yo solo
Suelo de espinas sabía pisar

Viajé, me golpeé
Me corté, seguí adelante
Decidí desmontar

Hoy cansado me pongo a recordar
Un poco de agua en mi mirada
Por la noche me siento solo
Fuego, frío, luna y polvo
Pienso en todo lo que hice
Si fui feliz

Tan valiente
Tan guerrero
Por la carretera rodando
Sin apoyo
En los recodos
Tanta tierra por recorrer

Simplemente
Pasajero
En esta vida sin parar
Mi camino, yo solo
Suelo de espinas, mi hogar

Escrita por: Cristina Saraiva / Rafael Alterio