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Párrafos

Cryform

Parágrafos

São pedaços da minha vida que eu tento apagar
São parágrafos do meu passado que eu tive que rasurar
Das cartas que me forcei a escrever
Bem antes de você chegar

São rascunhos que nunca te mostrei
Eu tenho certeza, você não ia me entender bem
Rabiscos que nunca cheguei a terminar
Da vida que eu imaginei

Tem rabiscos pelo chão do quarto
Eu tenho cadernos cheios do meu passado
São rascunhos sem meio nem fim
De tudo que eu nunca quis pra mim

Tem pedaços de mim mesmo por aí
São linhas que eu nunca escrevi
São histórias de quem eu já fui
E reflexos de quem nunca quis ser.

Os versos pelo chão nada mais são
Do que lembranças que eu tento expulsar de mim
São rascunhos do que eu não sou mais
Desenhei, mas não passei o nanquim

As palavras saltam das folhas
Cruzam o quarto e escalam a cama
Devoram-se sonhos, me tiram o sono
E deixam pra trás a desesperança

Você é a única barreira que impede
Que os versos de outrora me definam agora
Preciso só ouvir tua voz para dormir um pouco
Enquanto o sol já nasce lá fora

São histórias sem meio nem fim
Mas ao menos acabaram pra mim
As linhas que eu, à lápis, rabisquei
Mas nunca cheguei a passar nanquim

São histórias sem meio nem fim
Mas ao menos acabaram pra mim
As linhas que eu, à lápis, rabisquei
Da vida que eu imaginei

Párrafos

Son fragmentos de mi vida que intento borrar
Son párrafos de mi pasado que tuve que tachar
De las cartas que me obligué a escribir
Mucho antes de que llegaras tú

Son borradores que nunca te mostré
Estoy seguro, no me entenderías bien
Garabatos que nunca terminé
De la vida que imaginé

Hay garabatos en el suelo de la habitación
Tengo cuadernos llenos de mi pasado
Son borradores sin principio ni fin
De todo lo que nunca quise para mí

Hay pedazos de mí mismo por ahí
Son líneas que nunca escribí
Son historias de quien solía ser
Y reflejos de quien nunca quise ser

Los versos en el suelo no son más
Que recuerdos que intento expulsar de mí
Son borradores de lo que ya no soy
Dibujé, pero no pasé la tinta china

Las palabras saltan de las hojas
Recorren la habitación y escalan la cama
Devoran sueños, me quitan el sueño
Y dejan atrás la desesperanza

Eres la única barrera que impide
Que los versos del pasado me definan ahora
Solo necesito escuchar tu voz para poder dormir un poco
Mientras el sol ya sale afuera

Son historias sin principio ni fin
Pero al menos terminaron para mí
Las líneas que, a lápiz, garabateé
Pero nunca pasé la tinta china

Son historias sin principio ni fin
Pero al menos terminaron para mí
Las líneas que, a lápiz, garabateé
De la vida que imaginé

Escrita por: Gustavo Rosa