395px

Más Brasil

Daisy Cordeiro

Sou Mais Brasil

Até que a última luz se apague,
O sonho mate a vontade
A pressa é de quem ficar
Mesmo que toda esperança embarque
O tempo que me descarte
Nas águas sou cambará
Danço conforme o dobrado
Se for preciso me guardo
Ou como melado pra me lambuzar
Sou das mucamas de ouro
Negro, cafuzo ou crioulo
Sou mameluco ou sarará
Sou mais Brasil do cacau
Dos Pampas, Minas, Pantanal
Índio da tribo do Rio Maia
Terra de versos fogueiras
Me aqueço em quentão de brejeira
Eu sou cirandeiro, trovador do luar
Sou mais Brasil do Nordeste
Do fogo, da sede do agreste
Sou dos repentes de quem cantar
Terra de moça rendeira
Dos filhos de mãe parideira
Eu sou canoeiro, pescador desse mar...
Até que a última luz se apague
O sonho mate a vontade
A pressa é de quem ficar
Mesmo que toda esperança embarque
O tempo que me descarte
Nas águas sou cambará
Sou Treme-Terra Natal
Nos passos de Carlinhos Brown
Um abraço pra que não quiser me escutar
Sou da Festa do Pelouro
Do samba, calango e choro
Dança de roda, meu boi-bumbá
Sou mais Brasil tropical
Sou frevo, baião, carnaval
Eu sou boêmio de Irajá
Terra de Estação Primeira
Do mexe e remexe as cadeiras
Eu sou mestre-sala só pra me ver passar
Sou mais Brasil do Amazonas
Hermeto, violas, sanfonas
Dos curumins e tupinambás
Terra de berços, terreiros
Sua benção meu padroeiro!
Eu sou batuqueiro, rezador do conga
Sou mais Brasil do café
Do luxo, do lixo e da fé
Canto o rosário de orixalá
Terra de um povo que diz
Já é tempo de ser feliz
Esse é o meu lugar
E nessas águas sou navegador
Desse cruzeiro do sul em alto mar
Abri meus braços sou um redentor
Porque esse é o meu lugar

Más Brasil

Hasta que la última luz se apague,
El sueño mate la voluntad
La prisa es de quien se quede
Aunque toda esperanza se embarque
El tiempo que me descarte
En las aguas soy cambará
Bailo según el doblado
Si es necesario me guardo
O como melado para embarrarme
Soy de las criadas de oro
Negro, cafuzo o criollo
Soy mestizo o mulato
Más Brasil del cacao
De los Pampas, Minas, Pantanal
Indio de la tribu del Río Maia
Tierra de versos y fogatas
Me caliento con quentão de brejeira
Soy cirandero, trovador de la luna
Más Brasil del Nordeste
Del fuego, de la sed del agreste
Soy de los repentistas que cantan
Tierra de moza tejedora
De los hijos de madre paridora
Soy canoero, pescador de este mar...
Hasta que la última luz se apague
El sueño mate la voluntad
La prisa es de quien se quede
Aunque toda esperanza se embarque
El tiempo que me descarte
En las aguas soy cambará
Soy Treme-Tierra Natal
En los pasos de Carlinhos Brown
Un abrazo para aquellos que no quieran escucharme
Soy de la Fiesta del Pelouro
Del samba, calango y choro
Danza de ronda, mi boi-bumbá
Más Brasil tropical
Soy frevo, baião, carnaval
Soy bohemio de Irajá
Tierra de Estación Primera
Del mueve y remueve las sillas
Soy maestro de sala solo para que me vean pasar
Más Brasil del Amazonas
Hermeto, violas, acordeones
De los niños y tupinambás
Tierra de cunas, patios
¡Tu bendición, mi patrón!
Soy percusionista, rezador del conga
Más Brasil del café
Del lujo, de la basura y de la fe
Canto el rosario de orixalá
Tierra de un pueblo que dice
Ya es tiempo de ser feliz
Este es mi lugar
Y en estas aguas soy navegante
De este crucero del sur en alta mar
Abro mis brazos, soy un redentor
Porque este es mi lugar

Escrita por: Rafael Alterio / Rita Alterio