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El Niño del Porter

Daniel

O Menino da Porteira

Toda vez que eu viajava pela estrada de Ouro Fino
De longe eu avistava a figura de um menino
Que corria, abria a porteira e depois vinha me pedindo
Toque o berrante seu moço
Que é pra eu ficar ouvindo

Quando a boiada passava e a poeira ia baixando
Eu jogava uma moeda e ele saía pulando
Obrigado boiadeiro
Que Deus vá lhe acompanhando
Pra aquele sertão à fora, meu berrante ia tocando

Nos caminhos desta vida muito espinho eu encontrei
Mas nenhum calou mais fundo
Do que isso que eu passei
Na minha viagem de volta qualquer coisa eu cismei
Vendo a porteira fechada o menino eu não avistei

Apeei do meu cavalo num ranchinho beira chão
Vi uma mulher chorando, quis saber qual a razão
Boiadeiro veio tarde, veja a cruz no estradão
Quem matou o meu filhinho foi um boi sem coração

Lá pras bandas de Ouro Fino levando gado selvagem
Quando eu passo na porteira até vejo a sua imagem
O seu rangido tão triste mais parece uma mensagem
Daquele rosto trigueiro desejando-me boa viagem

A cruzinha do estradão do pensamento não sai
Eu já fiz um juramento que não esqueço jamais
Nem que o meu gado estoure, que eu precise ir atrás
Neste pedaço de chão, berrante eu não toco mais

El Niño del Porter

Cada vez que viajaba por la carretera de Ouro Fino
Desde lejos vi la figura de un niño
Quien corrió, abrió la puerta y luego vino a preguntarme
Toca la trompeta, jovencito
Que debería seguir escuchando

Cuando el ganado pasó y el polvo se asentó
Lanzaba una moneda y él saltaba
Gracias vaquero
Que Dios esté contigo
Allá en el interior del país, mi cuerno estaba sonando

En los caminos de esta vida he encontrado muchas espinas
Pero ninguno de ellos fue más profundo
De lo que pasé
En mi viaje de regreso me pasó algo
Al ver la puerta cerrada, no vi al niño

Me bajé de mi caballo en un pequeño rancho al borde del terreno
Vi a una mujer llorando, quería saber por qué
El vaquero llegó tarde, mira la cruz en el camino
El que mató a mi hijito era un buey sin corazón

Allí en la región de Ouro Fino se cría ganado salvaje
Cuando paso por la puerta incluso veo tu imagen
Su triste crujido suena más como un mensaje
Desde esa cara oscura deseándome un buen viaje

La pequeña cruz en el camino del pensamiento no desaparece
Ya hice un juramento que nunca olvidaré
Aunque mi ganado explote, tengo que ir tras ellos
En este pedazo de tierra ya no jugaré más

Escrita por: Luizinho / Teddy Vieira