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Viuda Rica (parte de Valderi y Mizael)

Daniel

Viúva Rica (part. Valderi e Mizael)

Fui caboclo do pesado
Levei sempre vida dura
Já fiz serviço dobrado
Pelo óleo da fritura

De roer osso na vida
Gastei minha dentadura
De tanto apertar o cinto
Calejei minha cintura

Não tem negócio da China
Pra se sair da pendura
Ou é a luta do mundo
Ou a paz na sepultura

Pra se viver do trabalho
É demais a concorrência
É carteira pra carvalho
E carta de referência

Quanto mais ganha mais gasta
Na rabeira da carência
Trabalhar pra quem é pobre
É gostar de penitência

O trabalho da cansaço
E suor de experiência
Trabalhar por trabalhar
É relaxar a competência

De trabalhar ninguém morre
Nem de fome quem não queira
Faça sol ou faça chuva
Mundo velho é sem porteira

O meu rosário de queixa
Eu joguei na corredeira
Qualquer barranco é um porto
Qualquer pedra é uma cadeira

Deus me deu o lar no mundo
E a saúde como esteira
Minha mãe me deu a luz
E a vida sem canseira

No meu sistema de vida
Muita gente me critica
O futuro é a morte
Pra semente ninguém fica

Três punhadinhos de terra
Numa cova nada explica
Da minha filosofia
Eu só vou dar uma dica

Eu não vou salvar o mundo
Dessa gente que complica
Nem morrer de trabalhar
Pra deixar viúva rica

Viuda Rica (parte de Valderi y Mizael)

Fui campesino del pesado
Siempre llevé una vida dura
Ya hice el doble de trabajo
Por el aceite de la fritura

Masticando hueso en la vida
Gasté mi dentadura
De tanto apretar el cinturón
Me endurecí la cintura

No hay negocio del otro mundo
Para salir de la deuda
O es la lucha del mundo
O la paz en la sepultura

Para vivir del trabajo
La competencia es excesiva
Es tener un montón de papeles
Y cartas de recomendación

Cuanto más se gana, más se gasta
Al final de la necesidad
Trabajar para los pobres
Es como disfrutar de la penitencia

El trabajo cansa
Y el sudor es experiencia
Trabajar por trabajar
Es descuidar la competencia

De trabajar nadie muere
Ni de hambre quien no quiera
Haga sol o llueva
El mundo viejo no tiene puertas

Mis quejas las he dejado ir
En el río corriente
Cualquier barranco es un puerto
Cualquier piedra es una silla

Dios me dio un hogar en el mundo
Y la salud como apoyo
Mi madre me dio la luz
Y una vida sin fatiga

En mi sistema de vida
Mucha gente me critica
El futuro es la muerte
Nadie queda como semilla

Tres puñados de tierra
En una tumba no explican nada
De mi filosofía
Solo daré un consejo

No voy a salvar al mundo
De esta gente complicada
Ni morir trabajando
Para dejar a una viuda rica

Escrita por: Tião Carreiro / EDWARD DE MARCHI