Campo Minado
Camiseta na cabeça quando criança
Pra fingir que era cabelo liso, até fazia trança
Excluída por não ser tão preta, nem ser tão branca
Mas ser daquela cor que a polícia sempre espanca
Me excluíram por não falar de samba, por não saber sambar
Saber que tem lugares que não posso entrar
É foda!
Liberdade é ilusão, não se engane, irmão
Só falam de igualdade na televisão
Tô no limbo, tô na lacuna, tô lá nem cá!
Não importa o que eu faça, não vão me aceitar!
Preta paty, uma farsa, sem dinheiro pra bancar
Pose de artista não dá em nada se você não me escutar!
Tô no limbo, tô na lacuna, tô lá nem cá!
Não importa o que eu faça, não vão me aceitar!
Preta paty, uma farsa, sem dinheiro pra bancar
Pose de artista não dá em nada se você não me escutar!
Diz que me conhece
Mas quando vê preto
Confundem a gente
São tudo igual, são parecidos
É tudo parente
Será que um dia, tudo vai mudar
E vai ser diferente
E a polícia na rua, não vai me bater
Ou matar nossa gente
No tempo da escola
O único pretinho
Teve que ter maturidade
Pra brincar sozinho
Ninguém falar seu nome
Por pura diversão
Era kizumba, macalé
Ou a vera verão
O racismo velado
Pra sempre injuriado
Como macaco, preto
Pobre e favelado
Nasci discriminado
Foi tudo estruturado
Hoje eu tô pronto
Pra explodir
Esse campo minado!
A minha reeducação
Que se fez necessária
Do sofrimento a uma
Vida extraordinária
Enquanto devoro
Livros de psicologia
Bundas no TikTok
Fazem coreografias
Sou grato pela vida
Tudo que me enobrece
Escrevo linhas que no fim
Minha bic agradece
E pra racista, fascista
Existe uma saída
O peso da minha mão
É unidade de medida!
Tô no limbo, tô na lacuna, tô lá nem cá!
Não importa o que eu faça, não vão me aceitar!
Preta paty, uma farsa, sem dinheiro pra bancar
Pose de artista não dá em nada se você não me escutar!
Nasci discriminado
Foi tudo estruturado
Hoje eu tô pronto
Pra explodir
Esse campo minado!
Campo Minado
Camiseta en la cabeza cuando era niño
Para fingir que tenía el pelo lacio, hasta hacía trenza
Excluida por no ser tan negra, ni ser tan blanca
Sino de ese color que la policía siempre golpea
Me excluyeron por no hablar de samba, por no saber bailar
Saber que hay lugares a los que no puedo entrar
¡Es una mierda!
La libertad es una ilusión, no te engañes, hermano
Solo hablan de igualdad en la televisión
Estoy en el limbo, estoy en la laguna, estoy ni aquí ni allá!
No importa lo que haga, no me van a aceptar!
Negra fresa, una farsa, sin dinero para gastar
La pose de artista no sirve de nada si no me escuchas!
Estoy en el limbo, estoy en la laguna, estoy ni aquí ni allá!
No importa lo que haga, no me van a aceptar!
Negra fresa, una farsa, sin dinero para gastar
La pose de artista no sirve de nada si no me escuchas!
Dicen que me conocen
Pero cuando ven a un negro
Nos confunden
Son todos iguales, son parecidos
Son todos parientes
¿Será que algún día, todo va a cambiar
Y será diferente
Y la policía en la calle, no me va a golpear
O matar a nuestra gente?
En la época de la escuela
El único negrito
Tuvo que madurar
Para jugar solo
Nadie decía su nombre
Por pura diversión
Era kizumba, macalé
O la vera verano
El racismo velado
Siempre injuriado
Como un mono, negro
Pobre y de favela
Nací discriminado
Todo fue estructurado
Hoy estoy listo
Para explotar
¡Este campo minado!
Mi reeducación
Que se hizo necesaria
Del sufrimiento a una
Vida extraordinaria
Mientras devoro
Libros de psicología
Cuerpos en TikTok
Hacen coreografías
Estoy agradecido por la vida
Todo lo que me enriquece
Escribo líneas que al final
Mi pluma agradece
Y para racistas, fascistas
Hay una salida
El peso de mi mano
Es unidad de medida!
Estoy en el limbo, estoy en la laguna, estoy ni aquí ni allá!
No importa lo que haga, no me van a aceptar!
Negra fresa, una farsa, sin dinero para gastar
La pose de artista no sirve de nada si no me escuchas!
Nací discriminado
Todo fue estructurado
Hoy estoy listo
Para explotar
¡Este campo minado!