Eu Quero
Quem disse que não quero pão, eu quero
Quem disse que eu não quero amor, mais quero
Quem disse que eu não quero céu, imploro
Quem disse que eu não quero sonho, eu amo
Te espero na esquina com o coração na mão
Quem disse que eu não sou paixão, arranho
Quem disse que eu não quero olhar, espio
Quem disse que eu não sei voar, sou pássaro
Quem disse que eu só sofro disso, se disse
Redisse uma feroz tolice
Não sabe da minha meninice
Quem disse que eu não chamo Deus, eu oro
Quem disse que eu não quero sol, eu douro
Quem disse que eu não quero água, sou sede
Quem disse que eu não quero pá, sou roça
Te espero em tua casa
Com a mesa farta e posta
Quem disse que eu não quero escola, eu choro
Quem disse que eu não sei rimar, sou ão
Quem disse que eu não quero paz, sou trégua
Quem disse insiste, com riste
Não sabe que meu coração
Por isso é triste
Quem disse que eu não sou Belém, sou manga
Quem disse que eu não quero azul, sou céu
Quem disse que eu não sou daqui, sou água
Quem disse tá mentindo a míngua
Esquece a sua infância
A chuva, a cesta, a língua.
Yo Quiero
Quién dijo que no quiero pan, yo quiero
Quién dijo que no quiero amor, más quiero
Quién dijo que no quiero cielo, imploro
Quién dijo que no quiero sueño, amo
Te espero en la esquina con el corazón en la mano
Quién dijo que no soy pasión, rasguño
Quién dijo que no quiero mirar, espío
Quién dijo que no sé volar, soy pájaro
Quién dijo que solo sufro de esto, si dijo
Repite una feroz tontería
No sabe de mi niñez
Quién dijo que no llamo a Dios, oro
Quién dijo que no quiero sol, doro
Quién dijo que no quiero agua, soy sed
Quién dijo que no quiero tierra, soy campo
Te espero en tu casa
Con la mesa llena y puesta
Quién dijo que no quiero escuela, lloro
Quién dijo que no sé rimar, soy ão
Quién dijo que no quiero paz, soy tregua
Quién dice insiste, con risa
No sabe que mi corazón
Por eso es triste
Quién dijo que no soy Belén, soy mango
Quién dijo que no quiero azul, soy cielo
Quién dijo que no soy de aquí, soy agua
Quién dice está mintiendo a medias
Olvida tu infancia
La lluvia, la canasta, la lengua.
Escrita por: Jorge Andrade, Ziza Padilha