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Medley de Fados

De Suza Linda

Medley de Fados

Solidão de quem tremeu
E a tentação do céu e dos encantos
Eis o que o céu me deu
Serei bem eu sob este véu de pranto

Foi no domingo passado que passei
Pela casa onde vivia a Mariquinhas
Mas está tudo tão mudado
Que não vi em nenhum lado
As tais janelas que tinham tabuinhas
Do rés-do-chão ao telhado
Não vi nada, nada, nada
Que pudesse recordar-me a Mariquinhas
E há um vidro pregado e azulado
Onde havia as tabuinhas

Lisboa, não sejas francesa
Com toda a cerveza
Não vais ser feliz
Lisboa, vaidosa daninha
Gaiada alfacinha [?]
Casar com Paris
Lisboa, tens cá namorados
Que dizem, coitados
Com as almas na voz
Lisboa, não sejas francesa
Tu és portuguesa
Tu és só pra nós!

Numa casa portuguesa, fica bem
Pão e vinho sobre a mesa
Quando à porta humildemente bater alguém
Senta-se à mesa com a gente!
Fica bem essa franqueza, fica bem
Que o povo nunca a desmente
E a alegria da pobreza
Está nesta grande riqueza
De dar e ficar contente

Lisboa, velha cidade
Cheia de encanto e beleza
Sempre formosa a sorrir
E no vestir sempre airosa
E o branco véu da saudade
Cobre o teu rosto, linda princesa

Olhai, senhores, esta Lisboa de outras eras
Dos cinco réis, das esperas e das touradas reais
Das festas, das seculares procissões
Dos populares pregões matinais que já não voltam mais

Lai, lai, lai, lai
Lai, lai, lai, lai, lai, lai, lai
Lai, lai, lai, lai, lai, lai, lai
Lai, lai, lai, lai

Das festas, das seculares procissões
Dos populares pregões matinais que já não voltam mais!

Medley de Fados

Soledad de quien tembló
Y la tentación del cielo y de los encantos
He aquí lo que el cielo me dio
Seré bien yo bajo este velo de llanto

Fue el domingo pasado que pasé
Por la casa donde vivía Mariquinhas
Pero todo está tan cambiado
Que no vi en ningún lado
Las ventanas que tenían tablitas
Del primer piso al tejado
No vi nada, nada, nada
Que pudiera recordarme a Mariquinhas
Y hay un vidrio pegado y azulado
Donde estaban las tablitas

Lisboa, no seas francesa
Con toda la cerveza
No vas a ser feliz
Lisboa, vanidosa dañina
Gente de Lisboa
¿Casar con París?
Lisboa, tienes aquí enamorados
Que dicen, pobrecitos
Con las almas en la voz
Lisboa, no seas francesa
Tú eres portuguesa
¡Eres solo para nosotros!

En una casa portuguesa, queda bien
Pan y vino sobre la mesa
Cuando a la puerta humildemente toque alguien
¡Se sienta a la mesa con nosotros!
Queda bien esa franqueza, queda bien
Que el pueblo nunca la desmiente
Y la alegría de la pobreza
Está en esta gran riqueza
De dar y quedar contento

Lisboa, vieja ciudad
Llena de encanto y belleza
Siempre hermosa al sonreír
Y al vestir siempre airosa
Y el blanco velo de la nostalgia
Cubre tu rostro, linda princesa

Miren, señores, esta Lisboa de otras eras
De los cinco reales, de las esperas y de las corridas reales
De las fiestas, de las seculares procesiones
De los populares pregones matutinos que ya no vuelven más

Lai, lai, lai, lai
Lai, lai, lai, lai, lai, lai, lai
Lai, lai, lai, lai, lai, lai, lai
Lai, lai, lai, lai

De las fiestas, de las seculares procesiones
De los populares pregones matutinos que ya no vuelven más!