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Acusado

De Um Filho, de Um Cego

Réu

Perdeu sem se esforçar
Pôs-se a pensar
Fez-se o silêncio

Seu peito a palpitar
Deu-se a bradar
Em voz de lamento

Tudo o que é bom, dura pouco
Conclui num clichê tenaz
Mal sabe ele, pobre rapaz

Quis botar no papel
Terra e céu
Um mundo bonito

Mas da vida é um réu
Um sofredor
Um maltrapilho

Quando isso vai terminar?
Disse pra ninguém mais
Mal sabe ele, pobre rapaz

Outro gole de vinho
No colo, seu violão
Embriaga-se aos poucos
Em receio e dissolução

Queima a última seda
Quando é tarde demais
Mal sabe ele, pobre rapaz

Resta esperar

Acusado

Perdió sin esforzarse
Se puso a pensar
Se hizo el silencio

Su pecho palpita
Comenzó a gritar
En voz de lamento

Todo lo bueno, dura poco
Concluye en un cliché tenaz
Pobre muchacho, no sabe

Quiso plasmar en papel
Tierra y cielo
Un mundo hermoso

Pero de la vida es acusado
Un sufridor
Un harapiento

¿Cuándo terminará esto?
Dijo para nadie más
Pobre muchacho, no sabe

Otro trago de vino
En su regazo, su guitarra
Se embriaga poco a poco
En temor y disolución

Quema el último cartucho
Cuando es demasiado tarde
Pobre muchacho, no sabe

Solo queda esperar

Escrita por: Lucas Waricoda