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Rasgué tu retrato

Denis e Denner

Rasguei o Teu Retrato

Tu disseste em juramento
Entre o véu do esquecimento
Que o meu nome é uma visão
Tu tiveste a impiedade
De sorrir desta saudade
Que me mata o coração

Se um retrato tu me deste
Foi zombando, tu disseste
Do amor que te ofertei
E eu em lágrimas desfeito
Quantas vezes junto ao peito
O teu retrato conservei

Eu sei também ser ingrato!
Meu coração, bem vês, já não te quer
Eu ontem rasguei o teu retrato
Ajoelhado aos pés de outra mulher

Eu que tanto te queria
Eu que tive a covardia
De chorar este amargor
Trago aqui despedaçado
O teu retrato, pois vingado
Hoje está o meu amor
As sentenças são extremas

Faço o mesmo aos meus poemas
Rasgo os versos que te fiz
Não te comova o meu pranto
Pois quem te amou tanto, tanto
Foi um doido, um infeliz

Rasgué tu retrato

Tú dijiste en juramento
Entre el velo del olvido
Que mi nombre es una visión
Fuiste despiadada
Al sonreír de esta añoranza
Que me destroza el corazón

Si me diste un retrato
Fue burlándote, dijiste
Del amor que te ofrecí
Y yo, deshecho en lágrimas
Cuántas veces junto al pecho
Tu retrato conservé

¡También sé ser ingrato!
Mi corazón, bien ves, ya no te quiere
Ayer rasgué tu retrato
Arrodillado a los pies de otra mujer

Yo que tanto te quería
Yo que tuve la cobardía
De llorar esta amargura
Aquí traigo destrozado
Tu retrato, pues vengado
Hoy está mi amor
Las sentencias son extremas

Hago lo mismo con mis poemas
Rasgo los versos que te hice
No te conmueva mi llanto
Pues quien te amó tanto, tanto
Fue un loco, un desdichado

Escrita por: Cândido das Neves