Cantiga da Rua
A cantiga popular ao passar
Todos a julgam banal e afinal
Vai sorrindo à própria dor
Cantando em trovas de amor
O seu destino fatal
Cantiga da rua, das outras diferente
Nem minha nem tua, é de toda a gente
Cantiga da rua, que sobe e flutua
Mas não se detém
Inconstante e louca
Vai de boca em boca
Não é de ninguém
A pobreza é mais feliz, porque diz
Em voz alta o seu pensar, a cantar
E é à rua que ela vem
Como fôra a própria mãe
As suas mágoas contar
Cantiga da rua
Veloz andorinha
Não pode ser tua
E não será minha
Cantiga da rua
Jamais se habitua
Aos lábios de alguém
Vive independente
É de toda a gente
Não é de ninguém.
Street Song
The popular song as it passes by
Everyone judges it banal and in the end
It smiles at its own pain
Singing in love verses
Its fatal destiny
Street song, different from the others
Not mine nor yours, it belongs to everyone
Street song, that rises and floats
But does not stop
Inconstant and crazy
Goes from mouth to mouth
It belongs to no one
Poverty is happier, because it says
Aloud its thoughts, singing
And it's to the street that it comes
As if to its own mother
To tell its sorrows
Street song
Swift swallow
It can't be yours
And it won't be mine
Street song
Never gets used
To someone's lips
Lives independently
Belongs to everyone
Belongs to no one.
Escrita por: António Luis De Melo / João Bastos