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Canción de la calle

Deolinda Rodrigues

Cantiga da Rua

A cantiga popular ao passar
Todos a julgam banal e afinal
Vai sorrindo à própria dor
Cantando em trovas de amor
O seu destino fatal

Cantiga da rua, das outras diferente
Nem minha nem tua, é de toda a gente
Cantiga da rua, que sobe e flutua
Mas não se detém
Inconstante e louca
Vai de boca em boca
Não é de ninguém

A pobreza é mais feliz, porque diz
Em voz alta o seu pensar, a cantar
E é à rua que ela vem
Como fôra a própria mãe
As suas mágoas contar

Cantiga da rua
Veloz andorinha
Não pode ser tua
E não será minha
Cantiga da rua
Jamais se habitua
Aos lábios de alguém
Vive independente
É de toda a gente
Não é de ninguém.

Canción de la calle

La canción popular al pasar
Todo el mundo piensa que es banal y después de todo
Está sonriendo de su propio dolor
Cantando en truenos de amor
Tu destino fatídico

Canta desde la calle, desde los otros diferentes
Ni la mía ni la tuya, pertenece a todos
Cantando desde la calle, que sube y flota
Pero no se detiene
voluble y loco
Ir de boca a boca
No es de nadie

La pobreza es más feliz, porque dice
En voz alta tu pensamiento, cantando
Y es a la calle donde ella viene
Como su propia madre
Tus penas cuentan

Cantando desde la calle
Golondrina rápida
No puede ser tuyo
Y no será mío
Cantando desde la calle
Nunca te acostumbras
A los labios de alguien
Vive independiente
Es de todo el mundo
No pertenece a nadie

Escrita por: António Luis De Melo / João Bastos