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Cotorra

Diana Vilarinho

Cotovia

São panos que são de ferro
Da própria malha do mal
Tecidos de medo e erro
E de um silêncio brutal
Caem no peso dos anos
Que nos atiram para trás
Apagam tudo de preto
Vestem a vida de luto

O dia é da cotovia
De noite o mocho assobia
Quando vos calam a voz
Daqui respondemos nós

Lareiareia lareiá
Lareiareia
Lareiareia lareiá
Lareiareia

Sem cara lei que mascara
A ferida que nunca sara
Maldade, orgulho, doente
Achar que mulher não é gente
Tratam a própria existência
Loucura, incoerência
Homens sem amor de mãe
Hão de viver sempre aquém

O dia é da cotovia
De noite o mocho assobia
Quando vos calam a voz
Daqui respondemos nós

Lareiareia lareiá
Lareiareia
Lareiareia lareiá
Lareiareia

Rasgam-se as mortalhas, e os panos são laços
Que nos unem todas em todos os espaços
Rasgam-se as mortalhas, e os panos são laços
Que nos unem todas em todos os espaços

Lareiareia lareiá
Lareiareia
Lareiareia lareiá
Lareiareia
Lareiareia lareiá
Lareiareia
Lareiareia lareiá
Lareiareia

Quando vos calam a voz
Daqui respondemos nós

Cotorra

Son telas que son de hierro
De la propia trama del mal
Tejidos de miedo y error
Y de un silencio brutal
Caen con el peso de los años
Que nos empujan hacia atrás
Apagan todo de negro
Visten la vida de luto

El día es de la cotorra
De noche el búho ulula
Cuando les callan la voz
Desde aquí respondemos nosotros

Lareiareia lareiá
Lareiareia
Lareiareia lareiá
Lareiareia

Sin cara ley que enmascara
La herida que nunca sana
Malicia, orgullo, enfermo
Creer que mujer no es humano
Tratan la propia existencia
Locura, incoherencia
Hombres sin amor de madre
Vivirán siempre por debajo

El día es de la cotorra
De noche el búho ulula
Cuando les callan la voz
Desde aquí respondemos nosotros

Lareiareia lareiá
Lareiareia
Lareiareia lareiá
Lareiareia

Se rasgan las mortajas, y los paños son lazos
Que nos unen todas en todos los espacios
Se rasgan las mortajas, y los paños son lazos
Que nos unen todas en todos los espacios

Lareiareia lareiá
Lareiareia
Lareiareia lareiá
Lareiareia
Lareiareia lareiá
Lareiareia
Lareiareia lareiá
Lareiareia

Cuando les callan la voz
Desde aquí respondemos nosotros

Escrita por: Ricardo Ribeiro, Joana Alegre, Diana Vilarinho