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Calle de la Amargura

Dicró

Rua Da Amargura

Vou mudar daquela rua
Eu já não aguento mais
Lá tem muito caloteiro
E mulher que passa homem pra trás
Olha aí

Vou mudar de lá
(Eu vou) vou mudar de lá
Ali só quem presta sou eu
Que tenho um nome a zelar

Eu vou
Vou mudar de lá
(Eu vou) vou mudar de lá
Ali só quem presta sou eu
Que tenho um nome a zelar

Naquela casa amarela
Chega a me dar agonia
É um entra e sai de homem
A qualquer hora do dia

E na casa da esquina
Que até polícia já foi
É que mora o careca
Que é chamado de boi

Vou mudar daquela rua
Eu já não aguento mais (essa rua já prestou, malandro)
Lá tem muito caloteiro (tá entendido)
E mulher que passa homem pra trás (vê se não parece com assim)

Vou mudar de lá
Vou mudar de lá
Ali só quem presta sou eu
Que tenho um nome a zelar

Eu vou
Vou mudar de lá
(Eu vou) vou mudar de lá
Ali só quem presta sou eu
Que tenho um nome a zelar

Na casa de janela branca
Escrito cantinho do céu
Lá tem tudo que não presta
Mais parece um bordel

O seu Manoel da candinha
Fez o maior escarcéu
Achou na bolsa da nega
Um sabonete de motel
Olha aí

Vou mudar daquela rua
Eu já não aguento mais
Lá tem muito caloteiro
E mulher que passa homem pra trás
Olha aí

Vou mudar de lá (eu vou)
Vou mudar de lá
Ali só quem presta sou eu
Que tenho um nome a zelar

Eu vou
Vou mudar de lá
(Olha aí) vou mudar de lá (muda, rapaz!)
Ali só quem presta sou eu (eu que não moro mais nessa porcaria, não)
Que tenho um nome a zelar

É que lá naquela rua
Ninguém paga iptu
É gato na água, é gato na luz
Tem pilantra pra chuchu

Também mora um mulato
Que é metido a valentão
Mas o filho desmunheca
E a filha é sapatão
Olha aí

Vou mudar de lá
Vou mudar de lá
Ali só quem presta sou eu (não é fofoca, não)
Que tenho um nome a zelar (passa lá pra'á)

Vou mudar de lá (tu vê o que que há)
Vou mudar de lá (todo mundo devendo aluguel)
Ali só quem presta sou eu (rapaz)
Que tenho um nome a zelar (caminhão vem buscar móvel de neguin')

Vou mudar de lá (ninguém pagou a prestação)
Vou mudar de lá (ah lá, lá, lá, o malandro instalou)
Ali só quem presta sou eu (o orelhão no fundo do quintal)
Que tenho um nome a zelar (pilantra)

Vou mudar de lá (viu a filha do cara da Petrobrás?)
Vou mudar de lá (cada fi', meu pai, malandro)
Ali só quem presta sou eu (e a mulher do mercante?)
Que tenho um nome a zelar

Vou mudar de lá (quem está se dando bem é o dono do armazém)
Vou mudar de lá (também quem mandou)

Calle de la Amargura

Voy a mudarme de esa calle
Ya no aguanto más
Allí hay muchos estafadores
Y mujeres que engañan a los hombres
Mira

Voy a mudarme de allí
(Yo voy) voy a mudarme de allí
Allí solo yo soy de fiar
Que tengo un nombre que cuidar

Yo voy
Voy a mudarme de allí
(Yo voy) voy a mudarme de allí
Allí solo yo soy de fiar
Que tengo un nombre que cuidar

En esa casa amarilla
Me da hasta ansiedad
Es un ir y venir de hombres
A cualquier hora del día

Y en la casa de la esquina
Donde incluso la policía ha ido
Es donde vive el calvo
Que llaman el toro

Voy a mudarme de esa calle
Ya no aguanto más (esta calle ya fue buena, pícaro)
Allí hay muchos estafadores (entendido)
Y mujeres que engañan a los hombres (no parece así)

Voy a mudarme de allí
Voy a mudarme de allí
Allí solo yo soy de fiar
Que tengo un nombre que cuidar

Yo voy
Voy a mudarme de allí
(Yo voy) voy a mudarme de allí
Allí solo yo soy de fiar
Que tengo un nombre que cuidar

En la casa de la ventana blanca
Con el letrero 'Rincón del Cielo'
Allí hay de todo menos cosas buenas
Más parece un burdel

El señor Manoel de la Candinha
Armo un gran escándalo
Encontró en el bolso de la negra
Un jabón de motel
Mira

Voy a mudarme de esa calle
Ya no aguanto más
Allí hay muchos estafadores
Y mujeres que engañan a los hombres
Mira

Voy a mudarme de allí (yo voy)
Voy a mudarme de allí
Allí solo yo soy de fiar
Que tengo un nombre que cuidar

Yo voy
Voy a mudarme de allí (mira)
Voy a mudarme de allí (cambia, chico)
Allí solo yo soy de fiar (yo ya no vivo en esta porquería, no)
Que tengo un nombre que cuidar

Es que en esa calle
Nadie paga el impuesto predial
Hay robos de agua, hay robos de luz
Hay pillos por montón

También vive un mulato
Que se cree muy valiente
Pero el hijo es afeminado
Y la hija es lesbiana
Mira

Voy a mudarme de allí
Voy a mudarme de allí
Allí solo yo soy de fiar (no es chisme, no)
Que tengo un nombre que cuidar (pasa por allá)

Voy a mudarme de allí (mira lo que hay)
Voy a mudarme de allí (todos deben el alquiler)
Allí solo yo soy de fiar (chico)
Que tengo un nombre que cuidar (el camión viene a recoger los muebles de la gente)

Voy a mudarme de allí (nadie pagó la cuota)
Voy a mudarme de allí (ahí, ahí, ahí, el pícaro se instaló)
Allí solo yo soy de fiar (el teléfono público en el fondo del patio)
Que tengo un nombre que cuidar (pillo)

Voy a mudarme de allí (¿viste a la hija del tipo de Petrobras?)
Voy a mudarme de allí (cada uno, papá, pícaro)
Allí solo yo soy de fiar (¿y la mujer del comerciante?)
Que tengo un nombre que cuidar

Voy a mudarme de allí (quien está saliendo ganando es el dueño de la tienda)
Voy a mudarme de allí (también quien lo mandó)

Escrita por: Dicró / Pongá