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Errante

DINNAN

Andarilho

Terra nas botas de tanto andar
Porta na cara e o chão pra repousar
Deserto ao quadrado a noite chegou
Mas a mente tá solta a razão libertou

Curva tão longa que parece reta
Piso escorregadio caco de vidro e pedra
Cantil menos da metade o charque acabou
A pressa te atrasa e te espreme o vigor

Outro dia, dia outra hora e em outro lugar
Mesmo sem estar perdido não vou encontrar
Floresta, montanha, Sol e solidão
Não importa o quanto eu ande nunca chego não

Olhos abertos, bandidos e animais
O coração não reclama mudanças são normais
A noite chamou um dia quase pior
Mas a venturosa recompensa é maior

Entrar ou sair já não faz diferença
Cardeais são só pontos mera referência
Só sei que quem saiu não e quem vai voltar
Na contramão do mundo eu vou caminhar

Outro dia, dia outra hora e em outro lugar
Mesmo sem estar perdido não vou encontrar
Floresta, montanha, Sol e solidão
Não importa o quanto eu ande nunca chego não

Sempre caminhar mesmo sem ter aonde ir
Sempre cantar mesmo sem ter que ouvir
Sempre escrever um dia alguém vai ler
Sempre lembrar mesmo se alguém esquecer

Outro dia, dia outra hora e em outro lugar
Mesmo sem estar perdido nunca vou achar
Floresta, montanha, Sol e solidão
Não importa o quanto eu ande nunca chego não

Errante

Tierra en las botas de tanto caminar
Rostro al viento y el suelo para descansar
Desierto al cuadrado, la noche llegó
Pero la mente está libre, la razón se liberó

Curva tan larga que parece recta
Suelo resbaladizo, vidrios y piedras
Cantimplora menos de la mitad, la carne se acabó
La prisa te retrasa y exprime tu vigor

Otro día, día otra hora y en otro lugar
Aunque no esté perdido, no voy a encontrar
Bosque, montaña, Sol y soledad
No importa cuánto camine, nunca llego

Ojos abiertos, bandidos y animales
El corazón no se queja, los cambios son normales
La noche llamó, un día casi peor
Pero la recompensa venturosa es mayor

Entrar o salir ya no hace diferencia
Los puntos cardinales son solo referencias
Solo sé que quien salió no es quien va a volver
En contra de la corriente del mundo voy a caminar

Otro día, día otra hora y en otro lugar
Aunque no esté perdido, no voy a encontrar
Bosque, montaña, Sol y soledad
No importa cuánto camine, nunca llego

Siempre caminar aunque no tenga a dónde ir
Siempre cantar aunque no tenga que escuchar
Siempre escribir, algún día alguien va a leer
Siempre recordar, aunque alguien olvide

Otro día, día otra hora y en otro lugar
Aunque no esté perdido, nunca voy a encontrar
Bosque, montaña, Sol y soledad
No importa cuánto camine, nunca llego

Escrita por: Fernando Torres Magalhaes