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Canción Campestre

Donizeti Camargo

Canção Agreste

Estou chegando de longe
Peço licença e me apresento
Só peço que não repare
Na singeleza das minhas vestes

Não sinto nenhum cansaço
Porque viajo a bordo do vento
E trago em minha bagagem
As coisas simples da vida agreste

Eu venho do pé da serra
Dos vilarejos dos verdes campos
Trazendo na voz serena
O doce murmúrio da cachoeira

Vim pelo clarão da Lua
E pelo brilho dos pirilampos
Rimando trovas e versos
Na cor maior da nossa bandeira

Eu não tenho preconceito
Eu sou de quem me deseja, ê, ê, á
Eu sou a canção agreste
Sou a moda sertaneja

Eu sou a pureza rara
Rubi selvagem da açucena
Que nasce e cresce no lodo
Pra conservar a sua beleza

Que zomba da rosa branca
Pois tem orgulho de ser morena
Também porque foi nascida
No berço nobre da natureza

Sou a cantiga barrenta
Que nasce a beira dos carreadores
Tenho o ritmo tranquilo
Do passo lento de uma boiada

Meu verso é noite sem Lua
Quando revelo falsos amores
Minha rima é flor que murcha
Na terra onde não sou cantada

Eu não tenho preconceito
Eu sou de quem me deseja, ê, ê, á
Eu sou a canção agreste
Sou a moda sertaneja

Canción Campestre

Estoy llegando de lejos
Pido permiso y me presento
Solo pido que no te fijes
En la sencillez de mis ropas

No siento ningún cansancio
Porque viajo a bordo del viento
Y traigo en mi equipaje
Las cosas simples de la vida campestre

Vengo del pie de la sierra
De los pueblos de los campos verdes
Llevando en mi voz serena
El dulce murmullo de la cascada

Vine por la luz de la Luna
Y por el brillo de los luciérnagas
Rimando coplas y versos
En el color mayor de nuestra bandera

No tengo prejuicios
Soy de quien me desea, eh, eh, á
Soy la canción campestre
Soy la moda sertaneja

Soy la pureza rara
Rubí salvaje del lirio
Que nace y crece en el barro
Para conservar su belleza

Que se burla de la rosa blanca
Pues tiene orgullo de ser morena
También porque nació
En la cuna noble de la naturaleza

Soy la canción fangosa
Que nace al borde de los caminos
Tengo el ritmo tranquilo
Del paso lento de una manada de ganado

Mi verso es noche sin Luna
Cuando revelo amores falsos
Mi rima es flor que se marchita
En la tierra donde no soy cantada

No tengo prejuicios
Soy de quien me desea, eh, eh, á
Soy la canción campestre
Soy la moda sertaneja

Escrita por: Manuelito Nunes