Velhice
Se eu não trabalho então eu não existo
Se eu não servir de produção, estou morto estando vivo ?
Não é assim que vocês raciocinam ?
Penso que ainda existe vida nos retratos amarelos
Eu vejo, eu falo, eu ouço, eu penso
Sou carne viva, sangue circulando
Tenho sentimentos até mesmo na velhice
A dor de querer e tentar ser útil
e ninguém prestar atenção
Eu me sinto como um retrato amarelo
Não quero que tenham dó de mim
Eu não preciso desse tipo de caridade
Mãos enrrugadas, trêmulas, proféticas incomodam
e parecem carregar uma peste sem cura
Velhice é uma criança que retorna e preocupa
Amigos se vão, o pano cai, a peça sai de cartaz
Ser esquecido na poltrona do canto da sala
paisagem adormecida de uma vida longínqua
lembranças minhas que não interessam à ninguém
Meu maior erro foi acreditar que o meu jardim nunca
iria envelhecer.
Vejez
Si no trabajo, entonces no existo
Si no sirvo para producir, estoy muerto estando vivo
¿No es así como ustedes razonan?
Pienso que aún hay vida en los retratos amarillos
Veo, hablo, escucho, pienso
Soy carne viva, sangre circulando
Tengo sentimientos incluso en la vejez
El dolor de querer y tratar de ser útil
y que nadie preste atención
Me siento como un retrato amarillo
No quiero que tengan lástima de mí
No necesito ese tipo de caridad
Manos arrugadas, temblorosas, proféticas molestan
y parecen llevar una peste sin cura
La vejez es un niño que regresa y preocupa
Amigos se van, el telón cae, la obra sale de cartel
Ser olvidado en el sillón del rincón de la sala
paisaje adormecido de una vida lejana
recuerdos míos que no interesan a nadie
Mi mayor error fue creer que mi jardín nunca
envejecería.
Escrita por: Carlos Lopes