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Precipitada

Drulucca

Precipitada

Ela partiu
Assim como sempre tem feito
Quando pedi um tempo
E dessa vez ela se foi
Não deixou nem um vestígio
Limpou rastros, levou tudo daqui
Sem me dar conta me atirei

Em dias tão difíceis
De tantos edifícios
Rabisquei alguns papeis
Ao ver nossos anéis no anular da minha mão

Ao suvinar o seu perdão
Bateu a porta, e não me importo
Mas só queria que levasse a outra metade da metade
Que levou de mim

Me deixando assim
Inconsciente, mas descontente vivo à torto
E à direita do meu lado
De você não há resquícios

Se você existiu
Já não sei

Mas já te tive num passado
Te almejo sempre em meu futuro
E, quando chega o presente
Você desaparece

Sublima em minha frente
Levando minha calma
Talvez nem sinta a minha falta
Nem lembra o que viveu comigo

E reviver esse castigo assim foi bom
Reaprendi a amar
Não virarei seu inimigo se você não quiser voltar
Eu te respeito

Vou vagando, em ondas sobre um mar de ressaca
Minha jangada, (eu te respeito)vagará sem vela
Onde anda a Cinderela que nem sapato(eu te respeito) deixou?
Joguei flor num precipício
Já chorei, (eu te respeito) fiz reboliços
Já pedi a Padim Ciço
Fui da sé (eu te respeito)a canindé à pé

Fiz de tudo e essa mulher não volta(eu te respeito)
Todos os dias tô dormindo sem trancar a porta
Acreditando que ela voltará pra mim

Precipitada

Ella se fue
Así como siempre lo ha hecho
Cuando pedí un tiempo
Y esta vez se marchó
No dejó ni un rastro
Limpió huellas, se llevó todo de aquí
Sin darme cuenta me lancé

En días tan difíciles
De tantos edificios
Rayé algunos papeles
Al ver nuestros anillos en el anular de mi mano

Al suplicar tu perdón
Cerraste la puerta, y no me importa
Pero solo quería que te llevaras la otra mitad de la mitad
Que me quitaste

Dejándome así
Inconsciente, pero descontento vivo a la deriva
Y a la derecha de mi lado
De ti no hay rastros

Si alguna vez exististe
Ya no lo sé

Pero te tuve en el pasado
Siempre te anhelo en mi futuro
Y, cuando llega el presente
Tú desapareces

Te desvaneces frente a mí
Llevándote mi calma
Tal vez ni sientas mi falta
Ni recuerdes lo que vivimos juntos

Y revivir este castigo así fue bueno
Aprendí a amar de nuevo
No me convertiré en tu enemigo si no quieres regresar
Te respeto

Voy vagando, en olas sobre un mar de resaca
Mi balsa, (te respeto) vagará sin vela
¿Dónde está la Cenicienta que ni siquiera dejó un zapato? (te respeto)
Arrojé flores a un precipicio
Ya lloré, (te respeto) hice alboroto
Ya le pedí a Padim Ciço
Fui de la catedral (te respeto) a Canindé a pie

Hice de todo y esta mujer no regresa (te respeto)
Cada día duermo sin cerrar la puerta
Creyendo que ella volverá a mí

Escrita por: Pedro Lucca Cândido