A Sina e a Ceia
Quem tem prato vazio não enfeita a mesa
Quem tem muita tristeza não enfeita a rua
Quem tem pecado novo não cultiva o velho
Quem quer muita verdade se perdeu na sua
Quem tem a mão macia não carrega medo
Quem tem a faca cega não lhe nega o pão
Quem guarda os segredos tem a liturgia
Passeia pelo fausto dessa sacristia
Quem fala bem macio acaba ouvindo alto
Quem tem a dor urbana é o cidadão
Quem mata de gravata tem o seu perdão
Quem tem a vau da vida vai na contramão
Quem tem poucos minutos pra fazer a ceia
Quem tem sua marmita bem policiada
Embora a ira aperta o calor das veias
Tem a voz bem alta e não canta nada
Não é rato nem gato nem homem nem nada
Une Sina et une Ceia
Celui qui a l'assiette vide ne met pas de décor
Celui qui a beaucoup de tristesse ne décore pas la rue
Celui qui a un nouveau péché ne cultive pas l'ancien
Celui qui veut beaucoup de vérité s'est perdu dans sa propre
Celui qui a la main douce ne porte pas de peur
Celui qui a le couteau émoussé ne lui refuse pas le pain
Celui qui garde les secrets a sa liturgie
Il se promène dans le faste de cette sacristie
Celui qui parle doucement finit par entendre fort
Celui qui a la douleur urbaine est le citoyen
Celui qui tue en cravate a son pardon
Celui qui a le flot de la vie va à contre-sens
Celui qui a peu de minutes pour faire la ceinture
Celui qui a son plat bien surveillé
Bien que la colère serre la chaleur des veines
A une voix bien haute et ne chante rien
N'est ni rat, ni chat, ni homme, ni rien
Escrita por: Ederaldo Gentil / Roque Ferreira