Decididamente
Decididamente, eu não sou gente
Eu sou um ente incompetente, mal acabado
Eu infelizmente não consigo nem sequer ser um mendigo
Dá tudo errado
Deus, quando me fez, devia estar muito invocado
Ganhou o campeonato de fazer nego sofrer
Um urubu pousou na minha sorte
Eu nasci pra boi de corte
Deu cupim no meu viver.
Sábado passado quando eu vinha
Uma zinha "da pontinha"
Fez uma linda carinha para mim
Eu, aí, peguei minha pessoa
E fui andando para a boa
Na esperança de um domingo menos ruim
Pois, amigo, que é que é que você acha
Vou e levo uma bolacha
De um frajola que eu não sei de onde surgiu
E, que além de tudo, não contente
Me mandou apenasmente
Para a puta-que-pariu
Quando você está mesmo sem sorte
Nem a vida e nem a morte
Querem nada de saber de você, não
Você pode estar morto, defunto
E vêm os vermes todos juntos
Lhe pedir pra não seguir a refeição
Chega o dia e a vida está tão chata
Que você pega e se mata
Dá um tiro que parece de canhão
Mas a sua sorte é tão ingrata
Que êle sai pela culatra
Com licença da expressão.
Decididamente
Decididamente, yo no soy gente
Soy un ente incompetente, mal acabado
Desafortunadamente no logro ni siquiera ser un mendigo
Todo sale mal
Dios, cuando me creó, debía estar muy enojado
Ganó el campeonato de hacer sufrir a la gente
Un buitre se posó en mi suerte
Nací para ser un buey de corte
Mi vida se llenó de termitas
El sábado pasado cuando venía
Una chiquilla de la esquina
Me hizo una linda carita
Yo, entonces, tomé mi persona
Y me fui caminando hacia lo bueno
Con la esperanza de un domingo menos malo
Pero, amigo, ¿qué crees?
Voy y me encuentro con un tipo
De un lugar que ni sé de dónde salió
Y, para colmo, no contento
Me mandó directamente
A la mierda
Cuando realmente no tienes suerte
Ni la vida ni la muerte
Quieren saber nada de ti
Puedes estar muerto, difunto
Y vienen los gusanos todos juntos
A pedirte que no seas su próxima comida
Llega el día y la vida es tan aburrida
Que decides matarte
Disparas como si fuera un cañón
Pero tu suerte es tan ingrata
Que te sale el tiro por la culata
Con perdón de la expresión
Escrita por: Edú Lobo / Vinícius de Moraes