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João No-tiene-por-qué

Edu Lobo

João Não-tem-de-quê

Se eu me chamo assim
É porque sempre fui educado
A quem me diz "obrigado"
Eu digo "ñao tem de quê"
Sou um mendigo mais cortês
Que qualquer diplomado
Sou um aristocrata
E só bebo escocês
E o que eu retiro da féria
Na arte de mendigar
É prá sair da miséria
Curtindo um bom caviar

Nossa nobre profissão
Tem por obrigação
Nos dar muito lazer
Basta estender a mão.

Por isso eu digo a você
Que me pergunta a razão
Por que o amigo João
Se chama "Não-tem-de-quê"
Se assim me chamo é porque
Eu sempre fui educado
A quem me diz "obrigado"
Eu digo "não tem de quê"

João No-tiene-por-qué

Si me llamo así
Es porque siempre fui educado
A quien me dice 'gracias'
Yo digo 'no tienes por qué'
Soy un mendigo más cortés
Que cualquier diplomado
Soy un aristócrata
Y solo bebo whisky escocés
Y lo que saco de la feria
En el arte de mendigar
Es para salir de la miseria
Disfrutando de un buen caviar

Nuestra noble profesión
Tiene como obligación
Darnos mucho ocio
Basta con extender la mano.

Por eso te digo a ti
Que me preguntas la razón
Por qué el amigo João
Se llama 'No-tiene-por-quê'
Si así me llamo es porque
Siempre fui educado
A quien me dice 'gracias'
Yo digo 'no tienes por qué'

Escrita por: Edú Lobo / Vinícius de Moraes