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CANTO DE SAUDADE

Eduardo Freda

CANTO DE SAUDADE

Vim de tão longe, mas a distância não arrancou de mim
A liberdade de sonhar o voo cego da paixão
Nem o cativeiro nem a chibata da escravidão
Calou meu canto negro
Meu pensar, meu coração

Canto de saudade pra ver se o vento leva pra você
Nas águas oferendas pra grande mãe Iemanjá
Quem sabe o mar me leva ou então possa te trazer na próxima maré

Várias léguas longe
No horizonte já não vejo meus iguais
Quando eu chorei ninguém me ouviu
Tô sozinho
Em meio a um monte de pele preta
Eu virei mercadoria
Enquanto isso eu vou levando do jeito que posso levar
Passo malandreado com a ginga que foi concebida nos quintais de sinhá

CANTO DE SAUDADE

Vine de tan lejos, pero la distancia no me quitó
La libertad de soñar el vuelo ciego de la pasión
Ni el cautiverio ni el látigo de la esclavitud
Silenciaron mi canto negro
Mi pensar, mi corazón

Canto de saudade para ver si el viento te lleva hacia ti
En las aguas ofrendas para la gran madre Yemanjá
Quién sabe el mar me lleva o tal vez pueda traerte en la próxima marea

Muchas leguas lejos
En el horizonte ya no veo a mis iguales
Cuando lloré nadie me escuchó
Estoy solo
En medio de un montón de piel oscura
Me convertí en mercancía
Mientras tanto sigo llevando como puedo llevar
Paso astuto con la gracia que fue concebida en los patios de la señora

Escrita por: Eduardo Freda / Uilian Eduardo Freda