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Paulistanóide

Edvaldo Santana

Paulistanóide

A cidade me controla
Com seus olhos de janela
Não consigo pular fora
Isso aqui parece cela
Dou uma bola e cruzo os nóias
Desço a rua na banguela
A cidade me seduz
Eu vou namorar com ela

Raras luas, ruas cheias ou desertas
São poetas, suas fontes são seus guias
É preciso feriado prolongado
Pra quem sabe então ficar sozinha
Quando desce o avião é tudo já periferia
Que inflou feito um balão
E perdeu a fantasia

Prisioneiros do relógio e dos carros
São escravos com seus sonhos no seguro
Cada ponto disputado à navalha
As bonecas são meninas no escuro
Quando fico longe um pouco
Parece até que nem saí
A neurose é minha droga
Pra ficar perto de ti

Paulistanóide

La ciudad me controla
Con sus ojos de ventana
No puedo escapar
Esto parece una celda
Juego al fútbol y me junto con los adictos
Bajo la calle en punto muerto
La ciudad me seduce
Voy a salir con ella

Raras lunas, calles llenas o desiertas
Son poetas, sus fuentes son sus guías
Se necesita un fin de semana largo
Para aquellos que saben estar solos
Cuando el avión aterriza, todo es periferia
Que se infló como un globo
Y perdió la fantasía

Prisioneros del reloj y de los autos
Son esclavos con sus sueños asegurados
Cada punto disputado a navaja
Las muñecas son niñas en la oscuridad
Cuando me alejo un poco
Parece que ni siquiera me fui
La neurosis es mi droga
Para estar cerca de ti

Escrita por: Edvaldo Santana