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Jataí

Edvaldo Santana

Jataí

Eu vou tomar o mel de Jataí do Piauí
Que meu primo Edivaldino trouxe do norte pra mim
Para cantar um reggae-xote com pandeiro de Salim
Que um negro da Jamaica foi baixar em, São Luis
Ê São Luis Tambor de Crioula
Ê Piauí nego veio nasceu aí
Eu vou tomar um gole de cachaça com caju
Que a prima Margarida mandou de Caruaru
Para cantar no Mangue Beat um rock com maracatu
Que saiu lá do Recife pra virar moda no sul
Ê Pernambuco seu som é mameluco
Ê Piauí sola Salu sua rabeca pra Zumbi

Eu vou tomar um pó de Guaraná com Açaí
Que a vó de dona Lia receitou pra não dormir
Para cantar na guitarrada um carimbó forró siri
Que do rádio do barqueiro pega lá em Parintins
É Marabá Amazonas é rio e mar
Ê Piauí Araguaia e Tocantins
Eu vou tomar um caldo de pirão com Caruru
Que a tia do Ribeiro preparou pra Rei Zulu
Para cantar um samba-duro no terreiro de Olodum
Que ensinou pra molecada respeitar Mamãe Oxum
Fé da Bahia terra de Mãe Menininha
Ê Piauí água na escada do Bomfim

Eu vou tomar uma Salinas no vale de Pedra Azul
Que pro povo lá de Minas é melhor que Red Bull
Para cantar na Praça do Congado um velho Blues
Que a senhora do Rosário abençoou com sua Luz
E das gerais tem um clube na esquina
Ê Piauí casa de mineiro é logo ali
Eu vou tomar leite coalhado com embu do Cariri
Que um cabra de Sergipe revelou que é bom pro rim
Para cantar rap-embolada na casa de meu padim
O coco de Maceió trava língua de Cherri
E Paraíba tem macho tem mulher e tem menina
Ê Piauí pé de poeira é redemoinho de Saci

Eu vou tomar depois do rango um tererê um chimarrão
Que um guri de Porto Alegre indicou pra digestão
Para cantar no Pantanal um chamamé com violão
Com sanfona com viola contra baixo e percussão
Chê Milongueiro Paraná Goiás e Matogrosso
Ê Piauí piá também é Guarani
Eu vou tomar Maria-Mole na velha estrada do Rio
Que pros manos lá da vila liga mais que muito fio
Para cantar no Hip-Hop um pagode do meu tio
A quebrada da cidade tem a cara do Brasil

Jataí

Voy a tomar la miel de Jataí de Piauí
Que mi primo Edivaldino trajo del norte para mí
Para cantar un reggae-xote con pandeiro de Salim
Que un negro de Jamaica vino a bajar en, São Luis
¡Ay São Luis Tambor de Crioula!
¡Ay Piauí, negro que nació allí!
Voy a tomar un trago de cachaça con caju
Que la prima Margarida mandó desde Caruaru
Para cantar en el Mangue Beat un rock con maracatu
Que salió de Recife para volverse moda en el sur
¡Ay Pernambuco, tu son es mameluco!
¡Ay Piauí, sola Salu toca su rabeca para Zumbi!

Voy a tomar un polvo de Guaraná con Açaí
Que la abuela de doña Lia recetó para no dormir
Para cantar en la guitarrada un carimbó forró siri
Que del radio del barquero se escucha en Parintins
Es Marabá Amazonas, es río y mar
¡Ay Piauí, Araguaia y Tocantins!
Voy a tomar un caldo de pirão con Caruru
Que la tía de Ribeiro preparó para Rei Zulu
Para cantar un samba-duro en el terreiro de Olodum
Que enseñó a los chicos a respetar a Mamãe Oxum
Fe de Bahía, tierra de Mãe Menininha
¡Ay Piauí, agua en la escalera del Bomfim!

Voy a tomar una Salinas en el valle de Pedra Azul
Que para la gente de Minas es mejor que Red Bull
Para cantar en la Plaza del Congado un viejo Blues
Que la señora del Rosario bendijo con su Luz
Y de las gerais hay un club en la esquina
¡Ay Piauí, la casa del minero está ahí mismo!
Voy a tomar leche cuajada con embu del Cariri
Que un hombre de Sergipe reveló que es bueno para el riñón
Para cantar rap-embolada en la casa de mi padrino
El coco de Maceió enreda la lengua de Cherri
Y Paraíba tiene hombres, mujeres y niñas
¡Ay Piauí, el polvo en remolino es como el Saci!

Después de la comida voy a tomar un tereré, un chimarrão
Que un chico de Porto Alegre recomendó para la digestión
Para cantar en el Pantanal un chamamé con guitarra
Con acordeón, guitarra, bajo y percusión
Che Milonguero Paraná Goiás y Matogrosso
¡Ay Piauí, el niño también es Guarani!
Voy a tomar Maria-Mole en la vieja carretera de Río
Que para los chicos del barrio es más importante que un cable
Para cantar en el Hip-Hop un pagode de mi tío
El barrio de la ciudad tiene la cara de Brasil

Escrita por: Edvaldo Santana