395px

The Commune

El Efecto

La Comuna

Trabalhar menos!
Trabalhar todos!
Produzir o necessário!
Dividir a produção!

Trabalhar menos!
Trabalhar todas!
Produzir o necessário!
Dividir a produção!

Mãos cansadas da costureira
Tece os trajes do terror
Num galpão gelado e obscuro
Produz centenas de casacos a todo vapor
Mas o que importa do casaco é a venda
E não o seu calor

Num subúrbio em Bangladesh
Ou em qualquer periferia
Tantas vidas desfiadas
Linha, agulha e agonia
O mercado é pai do crime
Tece um ciclo doentio
O casaco é pra vitrine
(E quem produz?)
E quem produz morre de frio

Trabalhar menos!
Trabalhar todes!
Produzir o necessário!
Dividir a produção!

No vai e vem da bicicleta
Rasga o asfalto o entregador
É refém da própria meta
O algoritmo é o chicote que se aprimorou
Seu pedido está chegando até você
Desfrute esse sabor

Rappi, Ifood, Uber Flash
Qual o segredo da magia?
Sanguessugas vão nas costas
Rango quente, boia-fria
Pedalando entre os destroços
Da cidade em decomposição
Num balé de marcas mortas
Desfilando em procissão

Bárbaro mangue chamado mercado
Lágrima, sangue, suor
Embalado a vácuoe aos cacos
A classe se olha, mas não se vê
Rasga o peito esse veto concreto
A coisa é sujeito, a pessoa, objeto
Tudo ao avesso, o fim é o começo
Quero ter olhos pra ver

Escravo de ganho (eu)
Quanto eu ganho?
Meu suor escorrendo na testa
Meu sangue tingindo o asfalto
Eu preciso cumprir minha meta
Na festa do filho do patrão
Com canhão, querendo meu salário
No capitalismo, úteros são fábricas
Onde nascem os operários
Sonhei que tava em Havana
Com meu mano Che Guevara
E se fosse assim
O amanhã não seria tão urgente
Meu camarada

Trabalhar menos!
Trabalhar todos!
Produzir o necessário!
Dividir a produção!

Trabalhar menos!
Trabalhar todas!
Produzir o necessário!
Dividir a produção!

(Produzir o necessário! Dividir a produção!)

Corpo e alma, tudo dói
Minha cabeça atormentada
Corpo e alma, tudo dói
Eu sinto a vida envenenada

Outra forma de vida!
Da insurgência surgirá!
Outra forma de vida!

Procurei um remédio alguma solução
Que pudesse me tirar desse abismo
O doutor me receitou uma revolução
Pois me disse que eu sofro
Me disse que eu sofro é de capitalismo

Trabalhar menos!
Trabalhar todes!
Produzir o necessário!
Dividir a produção!

A nossa força criadora sequestrada nada cria
(Trabalhar menos! Trabalhar todas!)
A nossa força criadora crescerá na rebeldia
(Trabalhar menos! Trabalhar todes)
Somos gados de corte a mando de um monstro que nunca, nunca se sacia
(Trabalhar menos! Trabalhar todos!)
E só teremos outra sorte cultivando a morte da mercadoria

Produzir o necessário!
Dividir a produção!
Produzir o necessário!
Dividir a produção!

The Commune

Work less!
Work everyone!
Produce what is necessary!
Share the production!

Work less!
Work all!
Produce what is necessary!
Share the production!

Tired hands of the seamstress
Weave the garments of terror
In a cold and dark shed
Produces hundreds of coats at full steam
But what matters about the coat is the sale
And not your heat

In a suburb in Bangladesh
Or in any suburb
So many lives torn apart
Thread, needle and agony
The market is the father of crime
Weave a sick cycle
The coat is for the display window
(And who produces?)
And those who produce die of cold

Work less!
Work everyone!
Produce what is necessary!
Share the production!

In the coming and going of the bicycle
The delivery man tears up the asphalt
He is a hostage to his own goal
The algorithm is the whip that has improved itself
Your order is coming to you
Enjoy this flavor

Rappi, Ifood, Uber Flash
What is the secret of magic?
Leeches go on the back
Hot food, cold food
Cycling through the wreckage
From the decaying city
In a ballet of dead marks
Parading in procession

Barbarian mangrove called market
Tear, blood, sweat
Vacuum packed and in pieces
The class looks at each other, but does not see each other
This concrete veto tears your chest open
The thing is the subject, the person, the object
Everything upside down, the end is the beginning
I want to have eyes to see

Slave of gain (me)
How much do I earn?
My sweat dripping down my forehead
My blood staining the asphalt
I need to fulfill my goal
At the boss's son's party
With cannon, wanting my salary
In capitalism, uteruses are factories
Where workers are born
I dreamed I was in Havana
With my brother Che Guevara
What if it were like this?
Tomorrow wouldn't be so urgent
My comrade

Work less!
Work everyone!
Produce what is necessary!
Share the production!

Work less!
Work all!
Produce what is necessary!
Share the production!

(Produce what is necessary! Share the production!)

Body and soul, everything hurts
My tormented head
Body and soul, everything hurts
I feel life is poisoned

Another way of life!
From the insurgency will arise!
Another way of life!

I looked for a remedy, some solution
That could take me out of this abyss
The doctor prescribed me a revolution
Because he told me that I suffer
He told me that I suffer from capitalism

Work less!
Work everyone!
Produce what is necessary!
Share the production!

Our kidnapped creative force creates nothing
(Work less! Work all!)
Our creative force will grow in rebellion
(Work less! Work all)
We are beef cattle at the behest of a monster that is never, never satisfied
(Work less! Work all!)
And we will only have another luck cultivating the death of the commodity

Produce what is necessary!
Share the production!
Produce what is necessary!
Share the production!

Escrita por: