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Mi Pequeño Sitio

Eli Silva e Zé Goiano

Meu Sitiozinho

Meu pequeno território
Lugar onde eu vivia
Nas margens do rio Tietê
É minha velha moradia

Contra a minha vontade
Tive que vender um dia
Por um tal valor venal
Bem menos do que valia

Eu fui desapropriado
Tietê foi represado
Acabou minha alegria

Chegaram os engenheiros
Das empresas de energia
Foram fincando as balizas
Fazendo a topografia
E marcando as barragens

Aonde que já previa
Lá na varanda de casa
Eu a tudo assistia
Em pouco tempo fui vendo
Tudo desaparecendo
Conforme a água subia

Larguei tudo de repente
E fiz a minha mudança
Viemos para a cidade
Eu, a mulher e as crianças

Moro na periferia
Acabou a vida mansa
O meu sítio embaixo d’água
Não me sai mais da lembrança

A mulher ainda chora
Só fala em ir embora
Vivemos sem esperança

Eu olho e vejo a cidade
Com todas as luzes acesas
As indústrias trabalhando
Gerando emprego e riqueza

Movidos pela energia
Da força da natureza
A fonte que ilumina
Toda esta redondeza
Me faz lembrar com saudade
A minha propriedade
Sob as águas da represa

Fiquei sem meu sitiozinho
Mesmo com os meus protestos
Vendi tudo o que eu tinha
Fiquei sem nada, confesso

Hoje eu moro na cidade
Num bairro pobre e modesto
Totalmente nas escuras
Não tem luz nem no acesso

De Sol a Sol, todo dia
Trabalho de bóia fria
Este é o preço do progresso

Mi Pequeño Sitio

Mi pequeño territorio
Lugar donde vivía
En las orillas del río Tietê
Es mi antigua morada

Contra mi voluntad
Tuve que vender un día
Por un valor venal
Mucho menos de lo que valía

Fui expropiado
Tietê fue represado
Se acabó mi alegría

Llegaron los ingenieros
De las empresas de energía
Fueron colocando las balizas
Haciendo la topografía
Y marcando las represas

Donde ya preveía
En el porche de la casa
Yo lo veía todo
En poco tiempo vi cómo
Todo desaparecía
Conforme el agua subía

Dejé todo de repente
E hice mi mudanza
Vinimos a la ciudad
Yo, mi mujer y los niños

Vivo en la periferia
Se acabó la vida tranquila
Mi sitio bajo el agua
No se borra de mi memoria

Mi mujer aún llora
Solo habla de irse
Vivimos sin esperanza

Miro y veo la ciudad
Con todas las luces encendidas
Las industrias trabajando
Generando empleo y riqueza

Movidos por la energía
De la fuerza de la naturaleza
La fuente que ilumina
Toda esta zona
Me hace recordar con nostalgia
Mi propiedad
Bajo las aguas de la represa

Me quedé sin mi pequeño sitio
A pesar de mis protestas
Vendí todo lo que tenía
Me quedé sin nada, lo confieso

Hoy vivo en la ciudad
En un barrio pobre y modesto
Totalmente a oscuras
No hay luz ni en el acceso

De sol a sol, cada día
Trabajo de jornalero
Este es el precio del progreso

Escrita por: Tião Camargo