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Retazos de Poema

Eli Silva e Zé Goiano

Retalhos de Poema

Revivendo os meus guardados encontrei
Alguns retalhos de poemas esquecidos
Revi os sonhos que um dia eu sonhei
E eu confesso que fiquei estarrecido

Naquelas folhas amarelas eu achei
Algumas trovas de amores destruídas
E tateando no abstrato deparei
Com um poeta pelo amor desiludido

Lembrei os beijos e afagos com ternura
Que retalharam minha face deslumbrada
Onde colher minha safra de amargura
Porque nos campos do meu peito foi plantada

Eu vi o rosto da menina meiga e pura
Que com loucura foi por mim apaixonada
E na verdade não sei por que tanto dura
Tantas lembranças e poemas relatadas

Para o poeta o boêmio é amante
Guardar rascunhos representa uma cilada
É ver a Lua se perdendo no horizonte
Quando aproxima o final da madrugada

Velhos retalhos de poemas fascinantes
E cada verso é uma joia lapidada
Me fiz voltar no passado num instante
Para encontrar todas as portas fechadas

Retazos de Poema

Reviviendo mis recuerdos encontré
Algunos retazos de poemas olvidados
Reviví los sueños que una vez soñé
Y debo confesar que me quedé atónito

En esas hojas amarillas encontré
Algunas estrofas de amores destruidos
Y explorando lo abstracto me topé
Con un poeta desilusionado por amor

Recordé los besos y caricias con ternura
Que desgarraron mi rostro deslumbrado
Donde cosechar mi cosecha de amargura
Porque en los campos de mi pecho fue sembrada

Vi el rostro de la niña tierna y pura
Que con locura se enamoró de mí
Y en realidad no sé por qué tanto perdura
Tantos recuerdos y poemas relatados

Para el poeta el bohemio es amante
Guardar borradores representa una trampa
Es ver la Luna perdiéndose en el horizonte
Cuando se acerca el final de la madrugada

Viejos retazos de poemas fascinantes
Y cada verso es una joya pulida
Me transporté al pasado en un instante
Para encontrar todas las puertas cerradas

Escrita por: Valdemar Reis / Zé Goiano