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Aroeira

Elizeth Cardoso

Aroeira

Ê aroeira já secou
Ê aroeira já secou
Já secou por que?
(Ê aroeira já secou
Ê aroeira já secou)

No lodo do fundo do rio
O sapo não bate de frio
O vento não faz assobio
Estrela não tem cantador
Bateia não bate e nem passa
Que a bruxa tirou sua caça
No rosto mandinga ou pirraça
Eu só sei que a coruja piou
De medo não saio do poço
Não boto meu pé nem pescoço
Enfia a viola no bolso
E mando dizer que não estou
Que não estou por que...

(Ê aroeira já secou
Ê aroeira já secou
Aroeira, ê aroeira já secou
Ê aroeira já secou)

De dedo colado não fio
De peito pregado nem pio
Calado num tal desafio
Debaixo do meu cobertor
Tem folha quebrando no mato
É piso de pato ou sapato
Tem cheiro de Juca Mulato
E o meu candeeiro apagou
De olho pregado no passo
Meu dente cerrado de aço
Se bate cem paus ou compasso
Me enlaço no braço e não vou
E não vou por que...

(Ê aroeira já secou
Ê aroeira já secou
Aroeira, ê aroeira já secou
Ê aroeira já secou)

Sou capoeira
Quem quiser me ver na feira
Diz que sou bom brigador
Mas em briga do diabo
Não sou brabo
Sou cantor
Sou cantor por que...

(Ê aroeira já secou
Ê aroeira já secou
Aroeira, ê aroeira já secou
Ê aroeira já secou)
Vai aroeira! (Ê aroeira já secou
Ê aroeira já secou
Aroeira, ê aroeira já secou
Ê aroeira já secou)

Aroeira

La aroeira ya se secó
La aroeira ya se secó
¿Por qué se secó?
(La aroeira ya se secó
La aroeira ya se secó)

En el lodo del fondo del río
La rana no tiembla de frío
El viento no silba
La estrella no tiene cantor
El cernidor no golpea ni pasa
Porque la bruja le quitó su presa
En la cara mandinga o berrinche
Solo sé que el búho ululó
De miedo no salgo del pozo
No pongo mi pie ni mi cuello
Guardo la guitarra en el bolsillo
Y hago decir que no estoy
Que no estoy ¿por qué?

(La aroeira ya se secó
La aroeira ya se secó
Aroeira, la aroeira ya se secó
La aroeira ya se secó)

Con el dedo pegado no hilvano
Con el pecho clavado ni pío
Callado en tal desafío
Debajo de mi cobertor
Hay hojas rompiendo en el matorral
Es piso de pato o zapato
Huele a Juca Mulato
Y mi farol se apagó
Con la mirada fija en el paso
Mis dientes apretados de acero
Si golpea cien palos o compás
Me enlazo en el brazo y no voy
Y no voy ¿por qué?

(La aroeira ya se secó
La aroeira ya se secó
Aroeira, la aroeira ya se secó
La aroeira ya se secó)

Soy capoeira
Quien quiera verme en la feria
Dice que soy buen peleador
Pero en pelea del diablo
No soy bravo
Soy cantor
Soy cantor ¿por qué?

(La aroeira ya se secó
La aroeira ya se secó
Aroeira, la aroeira ya se secó
La aroeira ya se secó)
¡Vamos aroeira! (La aroeira ya se secó
La aroeira ya se secó
Aroeira, la aroeira ya se secó
La aroeira ya se secó)

Escrita por: Romildo / Toninho Nascimento