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La Cucaracha Serafina

Elza Soares

A Barata Serafina

Preciso arrumar
Preciso escovar
Preciso limpar

Quem não faz isso
Não pode casar
E solteirona
Não quero ficar

E solteirona
Não quero ficar

Com esta voz, tão cristalina
Assim cantava serafina
Uma barata esbelta de cintura fina
Que dia e noite trabalhava
Limpando, varrendo a casa onde morrava

Um belo dia em certo canto
Uma moeda de dez centavos
Serafina encontrou
E feliz, muito feliz pensou
Xiii, meu dia chegou
Meu destino melhorou
Encontrei um tesouro
Estou cheia de ouro

De alegria delirando
Serafina falou, gritou
E a notícia por toda parte
Foi correndo, foi voando
Serafina teve o nome nos jornais
Virou capa de revista
Foi filmada, fotografada
E na TV deu entrevista

E foi aí, que falou com jeito de uma artista
Não vou mais escovar, não vou mais arrumar
Não vou mais limpar, prentendo casar
Estou a procura de noivo
E quero um tipo elegante
Formoso, elegante, talentoso
Que saiba conversar, que saiba dançar

Muitos e muitos candidatos
Serafina encontrou
Mas a todos recusou
Até que a noticia chegou
Aos ouvidos de peixoto
Um famoso gafanhoto
Que só pensava em comer
Só pensava em dormir
E no mesmo instante
Peixoto muito galante
Começou a refletir

Uma barata que tem dez centavos
É uma barata que tem rádio, TV
E quem sabe talvez até uma geladeira
É um negócio da China
Casar com esta serafina
Casar com tão rica herdeira

Formoso, muito perfeito
Peixoto apresentou-se
E, claro que foi aceito
Combinou-se o casamento
E um grande banquente foi programado
Porque somente em banquete
Falava o peixoto, gafanhoto esfoemado
Que nãoi falte o feijão
Sem feijão, não caso não

No dia do casamento
Peixoto não tirava
O feijão do pensamento
Quando a cerimônia chegou ao fim
E os convidsados seguiram
Para a caa dos noivos
Peixoto voou na frente
Alegre, contente cantado assim

Vou na frente
Vou esquentar o feijão minha gente
Vão com calma, einh
Não tenham pressa
Quem core cansa
E comer cansado é sem graça
Não ineressa

Correndo, batendo asa
Peixoto o gafanhoto
Logo chegou em casa
E em casa pendurado na panela
Com a cara esquisita
Com a cara amarela
Começou a comer o feijão
Quanto mais comia
Mais na panela se pendurava
E terminou mergulhando
Quando menos esperava

Na panela que era quase um caldeirão
Peixoto foi encontrado
Por seus serafina e seus convidados
Que ficaram aborrecidos, zangados
Porque ninguém pôde come
O que restava do feijão

Serafina ficou triste
Mas logo voltou a escovar, arrumar
E hoje alegre canta uma outra canção

Volto a varrer, volto a escovar
Um marido tão guloso
Não servia pra casar

Morou?

La Cucaracha Serafina

Tengo que arreglar
Tengo que barrer
Tengo que limpiar

Quien no lo haga
No puede casarse
Y solterona
No quiero ser

Y solterona
No quiero ser

Con esta voz, tan cristalina
Así cantaba serafina
Una cucaracha esbelta de cintura fina
Que día y noche trabajaba
Limpiando, barriendo la casa donde vivía

Un bello día en cierto rincón
Una moneda de diez centavos
Serafina encontró
Y feliz, muy feliz pensó
¡Uy, mi día llegó!
Mi destino mejoró
Encontré un tesoro
Estoy llena de oro

Delirando de alegría
Serafina habló, gritó
Y la noticia por todas partes
Corrió, voló
Serafina tuvo su nombre en los periódicos
Se convirtió en portada de revista
Fue filmada, fotografiada
Y en la TV dio entrevista

Y fue entonces que habló con aires de artista
No voy a barrer más, no voy a arreglar más
No voy a limpiar más, pretendo casarme
Estoy en busca de un novio
Y quiero un tipo elegante
Hermoso, elegante, talentoso
Que sepa conversar, que sepa bailar

Muchos y muchos candidatos
Serafina encontró
Pero a todos rechazó
Hasta que la noticia llegó
A los oídos de Peixoto
Un famoso saltamontes
Que solo pensaba en comer
Solo pensaba en dormir
Y en ese mismo instante
Peixoto muy galante
Comenzó a reflexionar

Una cucaracha que tiene diez centavos
Es una cucaracha que tiene radio, TV
Y quién sabe, tal vez hasta una nevera
Es un negocio redondo
Casarse con esta serafina
Casarse con tan rica heredera

Hermoso, muy perfecto
Peixoto se presentó
Y, claro que fue aceptado
Se acordó la boda
Y se programó un gran banquete
Porque solo en banquete
Hablaba Peixoto, saltamontes hambriento
Que no falte el frijol
Sin frijol, no caso no

El día de la boda
Peixoto no se quitaba
El frijol de la mente
Cuando la ceremonia llegó a su fin
Y los invitados siguieron
A la casa de los novios
Peixoto voló adelante
Alegre, contento cantando así

Voy adelante
Voy a calentar el frijol, mi gente
Vayan con calma, eh
No tengan prisa
Quien corre se cansa
Y comer cansado es aburrido
No interesa

Corriendo, batiendo alas
Peixoto el saltamontes
Pronto llegó a casa
Y en casa colgado en la olla
Con la cara extraña
Con la cara amarilla
Comenzó a comer el frijol
Cuanto más comía
Más en la olla se colgaba
Y terminó sumergiéndose
Cuando menos lo esperaba

En la olla que era casi un caldero
Peixoto fue encontrado
Por su serafina y sus invitados
Que se quedaron molestos, enojados
Porque nadie pudo comer
Lo que quedaba del frijol

Serafina se entristeció
Pero pronto volvió a barrer, arreglar
Y hoy alegre canta otra canción

Vuelvo a barrer, vuelvo a arreglar
Un marido tan glotón
No servía para casar

¿Entendido?

Escrita por: Gaya / Pascoal Longo