Bezerra é da Silva
Alô, povo do asfalto
Canto eu aqui do alto
Da desigualdade, o porta-voz
Dos limites postos à janela
Flagrante de cada um de nós
Desci o morro a caminho do batente
Vi nos becos a vida de cão
Cada tropeço transformei em melodia
Malandro, segura as pontas do seu barracão
Ê, malandro, segura as pontas do seu barracão
Olha, meu Deus, o dia a dia dessa gente
Otário de antena ligada, dando com a língua nos dentes
E tem a sogra, que insiste em meter a colher
Mas é lei de Murici, cada um sabe o que quer
Ele quer o meu voto (bandido!), prática universal
Pera lá, federal, sou sujeito ficha limpa
Não o deixei me fazer marginal
Quero ver me bater, antes do morro descer
Antes do morro descer, quero ver me bater
Condena meu povo a viver na senzala
Diga, você, coronel, quem é o verdadeiro canalha?
Se liga, meu canto é o clamor da cidade
Minha obra é legado, denúncia da realidade
E se não fosse o samba?
Não seria Bezerra de verdade!
Ô, malandragem, não se esqueça, doutor
Sou produto do morro, vim mostrar o meu valor
Bezerra es de Silva
Aló, gente del asfalto
Canto desde arriba
El portavoz de la desigualdad
De los límites impuestos en la ventana
Un retrato de cada uno de nosotros
Bajé del morro rumbo al trabajo
Vi en los callejones la vida de perros
Cada tropiezo lo transformé en melodía
Malandro, mantén firme tu barracón
Eh, malandro, mantén firme tu barracón
Mira, Dios, el día a día de esta gente
Tonto con la antena encendida, hablando de más
Y está la suegra, que insiste en meter cizaña
Pero es ley de Murici, cada uno sabe lo que quiere
Él quiere mi voto (¡bandido!), práctica universal
Espera un momento, federal, soy una persona con antecedentes limpios
No lo dejé convertirme en un marginal
Quiero verme luchar, antes de bajar del morro
Antes de bajar del morro, quiero verme luchar
Condena a mi gente a vivir en la senzala
Dime, coronel, ¿quién es el verdadero canalla?
Ponte pilas, mi canto es el clamor de la ciudad
Mi obra es legado, denuncia de la realidad
¿Y si no fuera por el samba?
¡No sería Bezerra de verdad!
Oye, malandragem, no olvides, doctor
Soy producto del morro, vine a mostrar mi valía
Escrita por: Gabriel Simões / Gustavo Dias / Mateus Pranto / Maykon Rodrigues / Millena Wainer / Rafael Faustino / Raphael Gravino