Água-viva
Qualquer pobre andarilho sabe o sacrifício que eu fiz
Pra me livrar da solidão
Distribuí amor no baixo meretrício
A preço de ocasião
Sorri quando um praça pagou meu almoço
Dancei com o filho coxo da dona da pensão
Tirei o meu vestido a troco de banana
Seios em liquidação
Domingo eu me pintei e dei de graça o meu sorriso
Perdi o meu juízo, rodei de mão em mão
Ninguém se comoveu com meu doce suplício
E eu fui dormir no colo da ilusão
Agora eu já nem sei se sou mulher ou água-viva
Meus olhos guardam conchas e corais
(o meu sussurro em gíria de marujo é maresia…)
Serei a que vagueia
O seu noturno olhar de maré cheia
Nas pedras pisadas do cais
Medusa
Cualquier pobre vagabundo sabe el sacrificio que hice
Para librarme de la soledad
Repartí amor en el bajo mundo
A precio de ocasión
Sonreí cuando un soldado pagó mi almuerzo
Bailé con el hijo cojo de la dueña de la pensión
Me quité el vestido a cambio de una banana
Pechos en liquidación
El domingo me maquillé y regalé mi sonrisa
Perdí mi juicio, pasé de mano en mano
Nadie se conmovió con mi dulce suplicio
Y me fui a dormir en el regazo de la ilusión
Ahora ya ni sé si soy mujer o medusa
Mis ojos guardan conchas y corales
(mi susurro en jerga de marinero es salitre…)
Seré la que deambula
Tu mirada nocturna de marea alta
En las piedras pisadas del muelle
Escrita por: Emiliano Castro / Zé Luiz Herencia