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Travessão de Cincha

Ênio Medeiros

Travessão de Cincha

Guapo travessão crioulo
Do feitio do Dom Arecio
Que foi Tirado a capricho
Da Papada de um buzerá

Duas argolas das grandes
Das cornetas serrilhadas
E de espelho por pataquada
O couro de um tamanduá

Quando eu te largo por cima
Do meu basto Camaquã
E o látego cimbra firme
Os barbantes da barrigueira

É garantida a certeza
Que o meu areio não vira
Por que só D'us da li me tira
Orquetado sobre as basteiras

Quanto matungo só treta
Me pateou nos papagaios
Se arrastando e dando talho
Num corcoveio abagualado

Mas contigo bem apertado
Eu já escorei muitas sovas
E na cincha tirei da cova
Muito touro acalambrado

Quebrei queixo da potrada
A golpe e tirão de cincha
Arrancava vaca atolada
Dos olhos de boi e banhado

Confiante no travessão, no laço
E no meu mouro que não nega
Capei e currei na macega
Muito terneiro abichado

Quando se formavam tropas
Capturando o gado alçado
Cansei de cortar o rastro
De boi gordo refugador

Dos pialos de toda a corda
Fiz alguns zebus matreiros
Trocar de ponta e costeio
Na força do cinchador

Travessão de Cincha

Hermoso cinchón criollo
Del estilo de Don Arecio
Que fue hecho a medida
De la papada de un toro

Dos grandes argollas
De las cornetas dentadas
Y de espejo por capricho
El cuero de un oso hormiguero

Cuando te suelto por encima
De mi basto Camaquã
Y el látigo se curva firme
Los cordones de la cincha

Está garantizada la certeza
Que mi arreo no se voltea
Porque solo D'us de allí me saca
Orquetado sobre las basteiras

Cuántos caballos solo problemas
Me patearon en los papagayos
Arrastrándose y dando tajos
En un corcoveo desbocado

Pero contigo bien apretado
Ya le di muchas palizas
Y en la cincha saqué del hoyo
Muchos toros acalambrados

Rompiendo mandíbula de potros
A golpes y jalones de cincha
Sacaba vacas atascadas
De los ojos de buey y pantano

Confiando en el cinchón, en el lazo
Y en mi alazán que no falla
Castré y desjarreté en la maleza
Muchos terneros malcriados

Cuando se formaban tropas
Capturando el ganado alzado
Cansé de cortar el rastro
De bueyes gordos renuentes

De los piales de toda la cuerda
Hice algunos zebús astutos
Cambiar de punta y costado
En la fuerza del cinchador

Escrita por: André Oliveira / Enio Medeiros