Picardia
Baixaria, picardia
Numa vaneira faceira
Não tendo eira nem beira
Se despacha buenaça
Contraponteando ligeira
No contra-lado da caixa
Taita, gaita, sirigaita
Chão batido e polvadeira
Se cruzam de tal maneira
Nas bailantas de campanha
E até capenga se assanha
No compasso da vaneira
Dê-lhe boca, dê-lhe cancha
Dê-lhe gaita a noite inteira
Que o povo se desmancha
Pra bailar uma vaneira
Se desmama todo guaxo
Qualquer prenda desencalha
Quando o gaiteiro se espalha
Alçado na oito baixos
Não tem baile que não coalhe
Botando vaneira em cacho
Aspira ora respira
Espicha ora encolhe
Amurado peito e fole
Do gaiteiro que não cansa
Da gaita que não se amansa
Mesmo que a noite se assole
Travesura
Vulgaridad, travesura
En una vaneira alegre
Sin tener nada ni un lugar
Se deshace la buena moza
Contrapunteando ligera
En el lado opuesto de la caja
Taita, gaita, sirigaita
Suelo batido y polvareda
Se cruzan de tal manera
En las fiestas de campo
E incluso cojeando se anima
En el compás de la vaneira
Dale boca, dale cancha
Dale gaita toda la noche
Que la gente se deshace
Para bailar una vaneira
Se desmadra todo guacho
Cualquier prenda se desata
Cuando el gaitero se despliega
Elevado en el ocho bajos
No hay baile que no se arme
Poniendo vaneira en racimo
Aspira ahora respira
Estira ahora encoge
Afligido pecho y fuelle
Del gaitero que no se cansa
De la gaita que no se amansa
Aunque la noche se despeje
Escrita por: Doroteo Fagundes / Tomaz Barcellos